25/08/2013

VAGINISMO: O QUE É ISTO?

Queridos, esse artigo foi publicado na revista CASAL FELIZ, uma publicação evangélica destinada aos casados e noivos. Terceiro trimestre de 2013.  Segue parte do texto. Mais informações ou para obter a revista, acesse: www.clickfamilia.org.br
 

 

   Você possui alguma conhecida que esteja casada há anos e que ainda seja virgem? Ou conhece alguma mulher que só consegue ser penetrada até determinado ponto porque a dor que sente é insuportável? Ou ainda, quem sabe, um casal que tenha se separado por não conseguir ter uma relação sexual plena?

   Para as mulheres que recebem o diagnóstico de vaginismo, essa é uma realidade que traz profunda frustração, desespero e, consequências sofridas para o casamento.

Entenda o que é

   O vaginismo é a contração dos músculos próximos à vagina, dificultando e até impossibilitando a penetração. É importante salientar que essa contração é involuntária: a mulher não percebe que contrai os músculos da vagina. Essa disfunção sexual origina um círculo vicioso: ansiedade→ tensão→ dor→ ansiedade→ tensão→ dor... Torna-se uma resposta aprendida desenvolvida pela associação de dor ou medo da penetração vaginal.

As causas

   O medo da penetração pode derivar de traumas de infância; abuso sexual; falta de informação; informações erradas ou confusas sobre sexo; questões religiosas que associam o sexo ao pecado; sentimentos de culpa; desconhecimento da própria anatomia feminina; e, até problemas físicos reais.

   Dentre os problemas físicos encontram-se quaisquer patologias da região pélvica que torne a relação sexual dolorosa. Exemplos: endometrite; doenças inflamatórias; herpes genital; vaginite atrófica; e até restos de hímem e hímem rígido. Todas as patologias de causa física trazem dor, podendo por isso, desencadear o vaginismo.

   É importante esclarecer que a maior parte das mulheres que sofrem dessa disfunção, a desenvolvem por motivos de natureza psicológica. Talvez você já tenha ouvido a frase: “O cérebro é o maior e o mais importante órgão sexual.” O que isso quer dizer? Quando o vaginismo é causado por fatores psíquicos, é o psicológico que deve ser focado. Por vezes, é necessário dizer à paciente: “Não há nada de errado com a sua vagina. Precisamos trabalhar a sua cabeça!” O cérebro é quem comanda o corpo. E é assim em todas as áreas, inclusive na sexual. Isso vale para mulheres e para homens. Grande parte das disfunções sexuais femininas e masculinas tem raízes emocionais. Logo, o tratamento psicológico é fundamental.

Então, o que fazer?

   O primeiro passo é procurar um ginecologista para verificar ou descartar quaisquer patologias de ordem física. Depois de tratadas, algumas mulheres conseguem ter relação sexual normalmente. Outras, precisam do atendimento do psicólogo/sexólogo, mesmo quando a origem é física, por deixar sequelas emocionais. Quando o vaginismo é 100% de origem emocional, a mulher deve procurar um psicólogo/sexólogo para iniciar o tratamento.

O tratamento

   O tratamento consiste em duas etapas, que podem acontecer em momentos distintos ou simultaneamente, dependendo do caso: a psicoterapia, que pode acontecer individualmente ou a dois (marido e mulher) e a dessensibilização.

   Na psicoterapia, são trabalhados os aspectos emocionais que levam à dor e ao medo da penetração vaginal. Na dessensibilização, a paciente passa pelo processo de perda gradual da “sensibilidade negativa” ou “intolerância” aos estímulos vaginais. A participação do marido é muito significativa em todo o processo. Quando ele participa, geralmente os resultados são bem mais rápidos.

   Com o avanço da tecnologia e da medicina, o uso de métodos, outrora empregados em determinadas áreas médicas, têm sido utilizados para o tratamento de algumas disfunções sexuais, inclusive para o tratamento do vaginismo. Alguns desses métodos são:

   A Eletroestimulação, que é um recurso terapêutico onde os músculos são contraídos e relaxados através de um aparelho. As aplicações da eletroestimulação muscular por corrente alternada proporciona vários trabalhos na musculatura, que vão ser diferenciados pela utilização dos parâmetros que o equipamento oferece.

   A Carboxiterapia, que consiste na aplicação de dióxido de carbono (CO2) com a finalidade de melhorar a circulação e oxigenação dos tecidos.

   A toxina botulínica, que  é uma substância produzida pela bactéria chamada Clostridium botulinum e quando injetada em algum grupamento muscular, provoca sua paralisação através do bloqueio da placa motora. A toxina é aplicada no terço distal e musculatura externa da vagina, provocando a paralisação temporária deste grupamento muscular .

   Ainda assim, psicoterapia e dessensibilização são o  tratamento mais utilizado e recomendado para a maioria dos casos de tratamento do vaginismo.

   Por tudo isso, é fundamental que a paciente tenha um diagnóstico preciso, realizado por um profissional capacitado, levando-se sempre em consideração de que cada mulher é única e que o tratamento apontado será o melhor para ela.

O casamento

   Viver uma vida a dois onde não se pode desfrutar de uma sexualidade plena,  torna-se frustrante. A esposa acaba desenvolvendo pensamentos prejudiciais, como: “Eu não sou mulher o suficiente.”; “Eu sou menos mulher que fulana.”; “Eu não faço meu marido feliz.”; “Queremos ter filhos e não podemos.”... E, como consequência, seu comportamento vai modificando-se: ela passa a sentir-se retraída socialmente, fica com a auto-estima baixa, e algumas vezes, desenvolve até um quadro depressivo.

   Veja só: uma esposa com esse perfil, acaba não sentindo-se capaz de manter um relacionamento satisfatório com seu marido, já que ela mesma não está bem! O marido entristece-se a cada tentativa sexual mal- sucedida. Esse tipo de situação acaba trazendo para a relação conjugal situações de estresse, ansiedade, conflitos, etc. Não raramente, casamentos até terminam por esse motivo.

   Deus deseja sempre o melhor para os seus filhos. Ele deseja que homem e mulher vivam em plena harmonia conjugal e sexual. A instrumentalidade de um profissional pode ser ferramenta Divina para a cura do vaginismo e, por consequência, a cura para um  casamento em crise!

  

 

História da vida real

   Compartilhar desafios e dificuldades com outras pessoas, faz com que elas não se sintam diferentes do restante do mundo. Por isso, serão narradas, a seguir, uma história real de uma mulher que batalhou contra o vaginismo. Os nomes mencionados aqui são fictícios.

 

   A  história é  de Ana, que sofre de vaginismo do tipo parcial, ou seja, aquele em que a mulher permite a introdução parcial do pênis e/ou de algum objeto dependendo de seu tamanho e espessura. Ana e o marido passaram juntos pela Terapia Sexual de Casal e obtiveram o sucesso.

Ana e Gustavo

Ana e Gustavo são casados há 4 anos. O casal procura ajuda porque Ana sente dor toda vez que vai ser penetrada pelo marido. Ana e Gustavo já tiveram uma relação sexual com penetração, mas depois da primeira vez, não conseguiram mais. Ana diz que a dor e a ardência são insuportáveis. Os dois procuram ajuda porque dentre a felicidade sexual, desejam também a paternidade. O casal apresentava pouquíssimo conhecimento sexual e um quadro de ansiedade que era gerado a cada tentativa sexual frustrada.

O processo começa.  Na terapia sexual, os dois aprendem sobre o vaginismo, sobre a anatomia e a fisiologia feminina. Ana desconhecia o próprio corpo; realidade bastante comum ainda hoje para algumas mulheres. Os exercícios e os “deveres de casa” são passados e os avanços iniciam-se.

   A terapia sexual de casal e a dessensibilização com a participação do marido tornam-se fundamentais para o sucesso do tratamento. A auta da terapia sexual veio num curto espaço de tempo.

  Ana e Gustavo hoje desfrutam de uma sexualidade plena e aguardam a chegada do primeiro filho.

O desejo Divino

   Alguns cristãos, infelizmente ficam tímidos em procurar a ajuda externa quando uma dificuldade na área sexual surge. Vários pensamentos do tipo: “O que ele vai pensar de mim?”, “Será que vou ser motivo de piada ou de fofoca?”, logo aparecem. Há aqueles que, simplesmente não sabem que o que apresentam é uma disfunção e que existe tratamento. Há os que não sabem a quem procurar, e há ainda os que não querem ser tratados física e emocionalmente.

   Como nos ensina Cristo nos evangelhos, estamos sujeitos às vicissitudes terrenas. Ter a consciência de que fora Deus quem nos criou seres sexuados, com desejos e emoções nos faz estar mais próximo Dele e de nosso cônjuge!

   Deus se importa conosco e deseja ver os seus filhos realizados em tudo, inclusive na área sexual. O desejo Divino é abençoar marido e mulher. O desejo Divino é ver seus filhos felizes. O desejo Divino é a prosperidade da família!

                                                                  Carolina Mendonça
                                                                Psicóloga e Sexóloga