30/01/2018

Anorexia Nervosa







    Se a paciente ou seus familiares ouviram do médico que se trata de uma doença grave, ele certamente não exagerou. A Anorexia tem índice de mortalidade entre 10 e 30%, portanto maior que muitas doenças que as pessoas sabem que são graves
As causas de morte são metabólicas, cardiovasculares, imunológicas, infecciosas e gastroenterológicas.
De uma maneira geral:
A Anorexia Nervosa é muito mais freqüente em adolescentes do sexo feminino do que masculino. Pode aparecer na idade adulta e quanto mais tarde aparece, melhor é a evolução.
Anoréxicas não acham que estão doentes nem aceitam se tratar.
Nas páginas de depoimentos, as bulímicas procuram tratamento, incentivam outras a se tratar, etc. Quase não existem depoimentos de anoréxicas. Geralmente elas preferem trocar idéias sobre laxantes, diuréticos técnicas de provocar vômitos e sobre como enganar a família e o médico.
OBS.: Se alguém perdeu peso por causa de alguma doença consumptiva, ou endocrinológica ou de um Depressão grave, evidentemente não se pode falar de Anorexia Nervosa.
Para os pais:                             
Na primeira consulta os pais querem ouvir tudo sem "dourar a pílula". Em poucos dias acham que o médico foi muito "duro", "radical", ameaçador", etc.
Meses depois verão que essa "dureza" tinha sentido. Por mais que os pais e os médicos achem que estão controlando a situação, as Anoréxicas são sempre mais espertas. Pelo menos no começo.
Não acreditem em quem promete um jardim de rosas para o tratamento. Em Anorexia Nervosa não existem jardins de rosas.
O desgaste para a família, terapeutas, médicos e acompanhantes é grande. Raramente a paciente se trata por muito tempo com a mesma equipe que diagnosticou e iniciou o tratamento.
Sintomas e sinais:
  • Emagrecimento. Anoréxicas com 42 Kg são consideradas de peso bom. Freqüentemente o peso chega a 36 Kg ou menos.
  • Vômitos. Provocados com os dedos, com cabos de colher, com arames, com contrações abdominais, etc. Elas vomitam no banheiro, no chuveiro, em vasos de plantas, sacos plásticos, papel higiênico, onde for possível. Se não vomitarem se sentem sujas por dentro e completamente "estufadas" por terem comido um grão de ervilha.
  • Quando se consegue que elas façam refeições com a família, sempre há um motivo para saírem da mesa logo que acabam de comer. Geralmente vão ao banheiro vomitar em segredo. " Amenorréia (interrupção da menstruação). A menstruação pode cessar antes de perda de peso grave (a desnutrição não é a única causa da amenorréia) e pode voltar antes de um ganho de peso importante.
  • Destruição do esmalte dentário (por causa dos vômitos).
  • Pele seca e amarelada, cabelos finos, secos e quebradiços (pela desnutrição).
  • Excesso de exercícios físicos.
  • Visão distorcida do próprio corpo. As anoréxicas nunca acham que estão magras o suficiente. Elas se olham no espelho e vêem os seios e o abdomen grandes demais.
  • Uso (geralmente escondido) de diuréticos, laxantes, hormônios de tireóide e pílulas para emagrecer.
  • Comorbidade (doenças concomitantes) com Depressão, DOC principalmente alternância de fases com Bulimia.
  • Isolamento social. São retraídas, pouco expansivas, quase sem amigos, não tem namorado,
  • Adoram cozinhar e servir comida para os outros.
  • Geralmente são meninas inteligentes, perfeccionistas e bonitas.
  • Acham que o tratamento é totalmente desnecessário. Vão ao médico apenas para que a família as deixem em paz.
  • Alternância com fases de Bulimia, quando comem tudo que está pela frente, a ponto dos pais terem que trancar a despensa da casa.
Causas:
A causa determinante é desconhecida. Quem já viu uma Anoréxica de 40 KG sair de um coma e continuar sem nenhuma crítica da situação sabe que o problema não pode ser apenas emocional.
Provavelmente existem componentes psicológicos e biológicos:
  • Psicológicos: Anoréxicas se imaginam tolhidas, sem liberdade, sem autonomia, controladas demais pela família, mesmo que objetivamente não o sejam. Explicações psicanalíticas sobre dificuldade de assumir o papel feminino, de se identificar com a figura materna etc., podem ser um assunto interessante para se discutir mas não costumam trazer benefícios para as pacientes.
  • Biológicos: familiares de anoréxicas podem sofrer de Distúrbio Obsessivo Compulsivo, Depressão, Bulimia, Pânico, Tricotilomania. O tratamento é eficaz com medicamentos que também agem nessas patologias.
Tratamento:
O principal objetivo do tratamento á ganhar peso. É aí que a coisa toda complica. Começa o famoso "enquanto não descobrir a causa ...", "quando descobrir a causa ...", "não adianta obrigar a comer enquanto não descobrir o porque..." etc.
O fato é que as pesquisa mostram que o mais importante de tudo é normalizar o peso. Mesmo que seja contra a vontade da paciente. Pode ser através de muita paciência dos pais à mesa, pode ser através de recompensas e castigos, pode ser através de hospitalização. O importante é que ganhe peso.
Mas os pais, os leigos e muitos profissionais ainda acham que "tem que descobrir a causa", portanto o tratamento mais eficaz, que é o ganho de peso através de tratamento hospitalar quase nunca é feito.
Na prática, a internação hospitalar acaba sendo o último recurso, quando o estado de emagrecimento chegou num ponto em que a paciente começa a correr risco de vida.
  • Ou seja, a hospitalização, que deveria ser o primeiro recurso, acaba sendo o último.
Bem, como na prática elas não são internadas, tenta-se tratar com:
  • Antidepressivos.
Porque eles diminuem o caráter compulsivo dos vômitos, da distorção da auto-imagem, porque eles agem no Sistema de Neurotransmissores que estão alterados nessa doença. O tempo de espera para começar o efeito é de várias semanas; além disso a paciente não aceita estar doente e não quer tomar remédios (a não ser aqueles que a façam perder mais peso). Portanto aí já começa a primeira batalha entre os pais e a paciente. Existem muitos Antidepressivos diferentes e pode ser que as primeiras tentativas não tragam resultado. Nesse caso, é preciso ter paciência para uma tentativa com outro medicamento, que também precisará de algumas semanas para ser avaliado.
  • Psicoterapia.
É muito importante, embora geralmente as pacientes só vão ao Terapeuta para que a família as deixe em paz. Esse é um dos motivos pelos quais a Psicoterapia não se aprofunda, fica arrastada, parece que é um castigo semanal para a paciente. A forma de Psicoterapia mais eficaz é a Cognitivo Comportamental (TCC).
  • Orientação Nutricional.
Para a família:
Prepare-se para uma luta de anos. A família tenta ajudar mas a paciente não quer ser ajudada.
A necessidade de controlar o peso e alimentação, os cuidados para que ela tome o remédio certo e para que não tome os laxantes são uma batalha diária.
Melhoras iniciais, no começo de cada tratamento não significam nada. O tratamento se arrasta por anos a fio.
As recaídas e a cronificação com baixo peso e isolamento social são mais freqüentes do que a cura completa.
As pacientes mudam de médicos com a esperança de "dar um baile" mais fácil A família se cansa e procura outras alternativas.
Por mais desgastante que seja o tratamento, existe um fator que a família nunca pode esquecer: o aumento de peso pode curar uma Anorexia mesmo que esse aumento de peso seja forçado. Nesta época de todos serem politicamente corretos e procurarem causas e explicações para tudo, é difícil convencer as pessoas disso, mas os trabalhos científicos comprovam cada vez mais essa antiga constataçao.
Leia o depoimento de uma anoréxica, que ilustra bem tudo que foi escrito.
"Com 12 anos, 1.60 de altura e 49 kg me achava gorda e tinha vergonha da minha barriga. Achava bonito modelos magras tipo Shirley Mallmann. Comecei a fazer um regime "básico" e me exercitar. Com 13 anos pesava 36 kg e ainda me achava gorda. Fazia de 1 a 2 horas de exercício 6x por semana. Então comecei a vomitar e de vez em quando "atacar a geladeira. Sem perceber tinha me afastado de todos meus amigos, chorava muito e tinha vontade de morrer. Me sentia tonta e minha mãe resolveu me levar no médico. Ele receitou que 3x por semana fosse ao hospital tomar soro. Minha mãe acatou mas eu reagi e disse que estava me sentindo bem e que amanhã comeria direito. Então me levavam, a força, para fazer soro 1x por semana. Com isso comia menos ainda porque pensava que o soro engordava. Com 32 kg, minha mãe estava desesperada descobriu que estava vomitando. Foi quando descobrimos a Dra. X. Aceitei ir pq pensei que iria ser como os outros médicos; eu dizia que não iria comer e não comia. Com 30 kg e muito desnutrida ela queria me internar pq estava com anorexia nervosa. Na primeira semana não cumpri nada. Quando voltei eu e meus pais levamos uma bronca. Aí meus pais começaram a ficar em cima mesmo. Mas ainda assim burlava-os e escondia comida nos bolsos e vomitava depois. Proibida de exercícios acordava de madrugada para me exercitar. Logo mamãe descobriu. A Dra. X me deu uma semana para aumentar de 500g a 1 kg se não iria me internar. Eu achava que meus pais nunca iriam permitir. Na outra semana, quando fui me consultar havia perdido 200g, então falou com meus pais e se eu não fosse internada ela se negaria a me tratar, acabei sendo internada. No dia 23 de dezembro de 1997 com 30 kg e 13 anos fui internada no hospital Y, foi quando começou o período mais difícil do tratamento, comecei a dizer que iria fazer greve de fome, a Dra. me deu 4 dias para aumentar 400g e trouxe a sonda ao meu quarto mostrando o que iria acontecer se eu não começasse a comer, vi que eu não tinha outra opção e comecei o comer. Mesmo internada eu continuava colocando comida dentro dos bolsos e vomitando em vasos de flor, meu banheiro ficava chaveado 24 horas por dia e quando precisava ocupá-lo uma enfermeira me acompanhava. Restrita de visitas de familiares e amigos eu chorava muito, foram 3 meses e meio de sofrimento. Voltei para casa na Páscoa para fazer um teste de como eu me comportaria. Como me comportei e comia direitinho não voltei mais pro hospital. a Dra. liberou os exercícios, comecei nadando duas vezes por semana. Quando voltei pra casa não saía de casa porque me achava gorda e não queria que ninguém me vice assim. com 1m e 56 kg me achava gorda e tive uma pequena recaída. Fui forçada a recuperar ou voltaria para o hospital, novamente não tive saída e voltei aos 50 kg com muito esforço. Chegou o verão e eu só ia pra piscina de maiô pois tinha vergonha da minha barriga. aos poucos, com os exercícios minha barriga foi se definindo e minha auto estima subindo. Hoje faço academia 2 vezes por semana e de dois em dois meses vou fazer revisão na Dra. X, ainda faço terapia com minha Psiquiatra 2 vezes por mês. Estou com 1,65m de altura e 51 kg. Aindo tenho um pouco de medo de comer mas, também tenho medo de recaídas. Hoje tenho consciência de que se não tivessem me internado o tratamento, em casa, jamais daria certo."



28/01/2018

VAGINISMO: entenda o que é e como essa disfunção sexual interfere na vida da mulher e no casamento.


 Por: Carolina Mendonça
         Psicóloga e Sexóloga

  Você possui alguma conhecida que esteja casada há anos e que ainda seja virgem? Ou conhece alguma mulher que só consegue ser penetrada até determinado ponto porque a dor que sente é insuportável? Ou ainda, quem sabe, um casal que tenha se separado por não conseguir ter uma relação sexual plena?
   Para as mulheres que recebem o diagnóstico de vaginismo, essa é uma realidade que traz profunda frustração, desespero e, consequências sofridas para o casamento.

Entenda o que é

   O vaginismo é a contração dos músculos próximos à vagina, dificultando e até impossibilitando a penetração. É importante salientar que essa contração é involuntária: a mulher não percebe que contrai os músculos da vagina. Essa disfunção sexual origina um círculo vicioso: ansiedade→ tensão→ dor→ ansiedade→ tensão→ dor... Torna-se uma resposta aprendida desenvolvida pela associação de dor ou medo da penetração vaginal.

As causas

   O medo da penetração pode derivar de traumas de infância; abuso sexual; falta de informação; informações erradas ou confusas sobre sexo; questões religiosas que associam o sexo ao pecado; sentimentos de culpa; desconhecimento da própria anatomia feminina; e, até problemas físicos reais.
   Dentre os problemas físicos encontram-se quaisquer patologias da região pélvica que torne a relação sexual dolorosa. Exemplos: endometrite; doenças inflamatórias; herpes genital; vaginite atrófica; e até restos de hímem e hímem rígido. Todas as patologias de causa física trazem dor, podendo por isso, desencadear o vaginismo.
   É importante esclarecer que a maior parte das mulheres que sofrem dessa disfunção, a desenvolvem por motivos de natureza psicológica. Talvez você já tenha ouvido a frase: “O cérebro é o maior e o mais importante órgão sexual.” O que isso quer dizer? Quando o vaginismo é causado por fatores psíquicos, é o psicológico que deve ser focado. Por vezes, é necessário dizer à paciente: “Não há nada de errado com a sua vagina. Precisamos trabalhar a sua cabeça!” O cérebro é quem comanda o corpo. E é assim em todas as áreas, inclusive na sexual. Isso vale para mulheres e para homens. Grande parte das disfunções sexuais femininas e masculinas tem raízes emocionais. Logo, o tratamento psicológico é fundamental.

Então, o que fazer?

   O primeiro passo é procurar um ginecologista para verificar ou descartar quaisquer patologias de ordem física. Depois de tratadas, algumas mulheres conseguem ter relação sexual normalmente. Outras, precisam do atendimento do psicólogo/sexólogo, mesmo quando a origem é física, por deixar sequelas emocionais. Quando o vaginismo é 100% de origem emocional, a mulher deve procurar um psicólogo/sexólogo para iniciar o tratamento.

O tratamento

   O tratamento consiste em duas etapas, que podem acontecer em momentos distintos ou simultaneamente, dependendo do caso: a psicoterapia, que pode acontecer individualmente ou a dois (marido e mulher) e a dessensibilização.
   Na psicoterapia, são trabalhados os aspectos emocionais que levam à dor e ao medo da penetração vaginal. Na dessensibilização, a paciente passa pelo processo de perda gradual da “sensibilidade negativa” ou “intolerância” aos estímulos vaginais. A participação do marido é muito significativa em todo o processo. Quando ele participa, geralmente os resultados são bem mais rápidos.
   Com o avanço da tecnologia e da medicina, o uso de métodos, outrora empregados em determinadas áreas médicas, têm sido utilizados para o tratamento de algumas disfunções sexuais, inclusive para o tratamento do vaginismo. Alguns desses métodos são:
   A Eletroestimulação, que é um recurso terapêutico onde os músculos são contraídos e relaxados através de um aparelho. As aplicações da eletroestimulação muscular por corrente alternada proporciona vários trabalhos na musculatura, que vão ser diferenciados pela utilização dos parâmetros que o equipamento oferece.
   A Carboxiterapia, que consiste na aplicação de dióxido de carbono (CO2) com a finalidade de melhorar a circulação e oxigenação dos tecidos.
   A toxina botulínica, que  é uma substância produzida pela bactéria chamada Clostridium botulinum e quando injetada em algum grupamento muscular, provoca sua paralisação através do bloqueio da placa motora. A toxina é aplicada no terço distal e musculatura externa da vagina, provocando a paralisação temporária deste grupamento muscular .
   Ainda assim, psicoterapia e dessensibilização são o  tratamento mais utilizado e recomendado para a maioria dos casos de tratamento do vaginismo.
   Por tudo isso, é fundamental que a paciente tenha um diagnóstico preciso, realizado por um profissional capacitado, levando-se sempre em consideração de que cada mulher é única e que o tratamento apontado será o melhor para ela.


O casamento

   Viver uma vida a dois onde não se pode desfrutar de uma sexualidade plena,  torna-se frustrante. A esposa acaba desenvolvendo pensamentos prejudiciais, como: “Eu não sou mulher o suficiente.”; “Eu sou menos mulher que fulana.”; “Eu não faço meu marido feliz.”; “Queremos ter filhos e não podemos.”... E, como consequência, seu comportamento vai modificando-se: ela passa a sentir-se retraída socialmente, fica com a auto-estima baixa, e algumas vezes, desenvolve até um quadro depressivo.
   Veja só: uma esposa com esse perfil, acaba não sentindo-se capaz de manter um relacionamento satisfatório com seu marido, já que ela mesma não está bem! O marido entristece-se a cada tentativa sexual mal- sucedida. Esse tipo de situação acaba trazendo para a relação conjugal situações de estresse, ansiedade, conflitos, etc. Não raramente, casamentos até terminam por esse motivo.
   Deus deseja sempre o melhor para os seus filhos. Ele deseja que homem e mulher vivam em plena harmonia conjugal e sexual. A instrumentalidade de um profissional pode ser ferramenta Divina para a cura do vaginismo e, por consequência, a cura para um  casamento em crise!
  


27/01/2018

AGENDA ABERTA


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Psicoterapia para adolescentes e adultos; terapia de casal; terapia de família; terapia sexual para casal.