19/11/2013

O FOFO, A FAROFA E A ZEZÉ.


Por: Gilson Bifano

Zezé, nossa diarista, entra em nosso lar todas as segundas e quintas-feiras. Há mais de 10 anos nos ajudando em casa, faltou apenas um dia. Porque estava doente.

Zezé é uma crente fiel, sempre alegre e disposta para O trabalho. Sua presença enriquece o lar dos Bifanos.

Casada com Edilson, forma um casal especial. Mas para Zezé, Edilson é o “fofo”.

Um dia desses ela me contou uma história interessante. Não tenho o talento do meu professor pr. Falcão Sobrinho, colega de coluna do Jornal Batista, para descrever as histórias e transformá-las em Parábolas da Vida. Mas vou tentar.

Fofo gosta muito de farofa. Um dia, chegou para Zezé e expressou o desejo de levar, em sua marmita do dia seguinte, uma gostosa farofa que só ela sabe fazer. Como se amam muito, Zezé fez, já no final do dia, a gostosa iguaria de Manihot esculenta (nome cientifico da mandioca). Ambos foram dormir e a farofa ficou ali prontinha, separada, para ser levada junto com a marmita e na hora do almoço ser saboreada pelo maridinho.

Como era quarta-feira, dia de folga, Zezé acordou um pouco mais tarde. Para sua surpresa, Fofo tinha esquecido de levar a farofa. Ao ver a farofa ali, ligou para ele e disse “mas Fofo... você esqueceu a farofa!”. “Não diga!”, expressou o Fofo do outro lado da linha. “Mas não tem problema não. A noite eu como”, finalizou ele. Zezé não pensou duas vezes. Se arrumou, saiu de Belford Roxo, cidade situada na Baixada Fluminense, pegou um ônibus de sua casa até a estação, de lá, de trem, foi até a estação do Maracanã, no Rio. Depois pegou outro ônibus e foi até o bairro da Tijuca, onde Fofo trabalha, como porteiro, para levar a farofa e assim agradar seu marido.

Quando ele a viu, não acreditou. Depois de entregar a farofa, Zezé fez o mesmo trajeto de volta para casa. Pelos meus cálculos, da saída de sua casa até o retorno, deve ter gasto umas três ou quatro horas.

Fofo poderia comer sem farofa naquele dia ou ir num desses restaurantes a quilo e comprar cem gramas. Mas Zezé fez algo inesquecível para seu marido e para o seu próprio casamento.

Se perguntássemos a Gary Chapman que linguagem Zezé usou para expressar seu amor ao Fofo, certamente diria que foi “atos de serviço”. Zezé, ao tomar a decisão de se deslocar da Baixada Fluminense e ir até o bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, não levou apenas um pote de farofa; depositou uma tonelada de cimento para fortalecer seu casamento. Custou algumas horas do seu descanso no dia de sua folga como diarista, um pouco dos seus limitados recursos financeiros, mas deu uma grande lição do que devemos fazer para manter um casamento e fazer com que a relação seja estável e resistente ao divórcio.

Quando ela me contou esta história lembrei-me de uma reportagem da revista Veja, há muitos anos, que reportou as razões dos casamentos duradouros. Uma senhora disse que uma das razões de ter ultrapassado a casa dos 50 anos de casamento estava num gesto semanal de seu marido. Uma vez por semana, ele se dirigia à padaria e comprava uma empadinha para sua amada. Na mesma padaria onde eles comeram a primeira empadinha, ainda como namorados.

Um dia, quando perguntarem ao Fofo porque está, há tanto tempo, casado com a Zezé ele vai responder: “Um dia ela levou uma farofa para mim, quando eu menos esperava”.

Casamentos duradouros e felizes são feitos dessas e outras pequenas demonstrações de amor.