05/01/2011

A ARTE DE RELACIONAR-SE COM A CRIANÇA

Em primeiro lugar, entenda as etapas do desenvolvimento infantil:


Primeira Infância (0-2 anos)

   Tarefas evolutivas: aprender a andar (9-15 meses); aprender a comer alimentos sólidos; aprender a falar (linguagem como socialização primária); aprender a reter e a liberar as fezes (deixar a fralda e usar o penico); aprender a diferença básica entre os sexos (menina senta de perna fechada e brinca de boneca e menino não); nomear pessoas e objetos; aprender a distinguir entre o certo e o errado.
   Aquisição do senso moral: cada pessoa tem seu senso moral que foi adquirido através do que os pais e o meio social lhe passaram. Em princípio, por ela ainda não possuir m senso moral, ela imita o comportamento, o exemplo dos pais. Nessa fase, a cr. Aprende os conceitos de certo e errado. De acordo com a teoria psicanalítica, se a cr. for educada com muito rigor em relação ao uso do penico, poderá se tornar uma pessoa supersensível e/ou cheia de sentimentos de culpa. Se, ao contrário, não receber qualquer restrição, poderá se transformar numa pessoa desorganizada e com tendências prejudiciais à si mesma e à sociedade. O ideal seria uma atitude comedida (de equilíbrio) para que a cr. possa ter um desenvolvimento normal.

Idade Pré-escolar (3-6 anos):

   Segundo a teoria psicanalítica, essa fase é caracterizada pelo romance familiar (afeição por um membro da família); rivalidade entre irmãos; egocentrismo; masturbação infantil; jogos sexuais e curiosidade; identificação. Uma orientação errada por parte dos pais nessa fase seriam: os cuidados exagerados; a falta de limites; atitudes negativas em relação aos assuntos sexuais; histórias de “cegonhas”...
   Moralidade: até os 6 anos de idade, a cr. passa por 3 fases para internalizar as regras de conduta moral. 1º. quando a cr. ao praticar algo proibido imita a punição, ao notar que seus pais se aproximam. 2º. A cr. realiza ações que levam ao comportamento proibido, mas ela mesma se refreia e imita os atos punitivos. 3º. A cr. mostra que aprendeu as regras de conduta moral, quando evita atividades proibidas ou quando mostra medo ao ser surpreendida na prática de tais atividades. Quando a cr. aprende o que é certo e errado, aprende a controlar sua agressividade. Se os pais não punem a cr. quando ela é excessivamente agressiva, ela tenderá a ser um adulto agressivo. Mas os pais não devem usar o castigo físico exagerado, porque ele tende a aumentar o comportamento agressivo.

Idade escolar e pré-adolescência (6-12 anos):

   Aos 6 anos, a cr. entra na escola para ser alfabetizada. Acontece aí a socialização secundária. Os colegas de escola desempenham papel importante na vida da cr. Nessa fase, a cr. tende a imitar os colegas (vocabulário, aparência, atitudes). Os pais precisam estar atentos para perceber uma imitação negativa. E então usar o estabelecimento de limites e normas para a cr. (com quem andar, como andar, “pircing”). Lembrando que o castigo exagerado e a rejeição produzem pessoas agressivas e até jovens delinqüentes.

   A puberdade é uma fase de transição entre a infância e a adolescência. Como saber se a cr. está na puberdade? Menarca (1ª. Menstruação); emissões noturnas (ejaculação); mudanças na voz; crescimento de pêlos; desenvolvimento ósseo. Por todas essas mudanças, muitas vezes o lado emocional da cr. fica alterado. Por isso, a importância do relacionamento pai-filho, mãe-filho.

   A personalidade é estruturada até mais ou menos os 5 anos de idade. Depois o que ocorre é o amadurecimento do que foi apreendido. A personalidade é definida pelo conjunto de traços, características ou qualidades da pessoa (pensamentos, emoções, atitudes, capacidades). Envolve o temperamento, que é o humor da pessoa (que é hereditário e aprendido); e também o caráter, que é a forma como cada um reage diante das situações. (ex. Maria acha um dinheiro na rua, vai até o posto policial e o devolve. João pega todo o dinheiro e vai embora.) A personalidade é construída sobre 4 fatores principais: a cultura (o nordestino é arretado; o sulista é reservado); o meio sócio-econômico (pessoa criada junto a traficantes numa favela); os genes (características físicas e genéticas); a família.
  
   Assim, de forma bem prática e direta, vamos analisar como os pais podem influenciar negativamente o desenvolvimento da personalidade de seu filho.

Regras estabelecidas que nem mesmo eles cumprem.

   Gritar, xingar, falar mal dos outro é pecado. As crs. Pensam: “Por que meus pais podem gritar comigo, e eu não posso?” Quando o telefone toca, a mãe manda o filho dizer: “Diz que eu não estou.”

Castigar o filho de forma inadequada.

   Precisa-se disciplinar a cr. na hora em que ela erra, porque talvez depois ela nem se lembre mais porquê apanhou. Ao castigar explique o motivo do castigo, para que ele tenha lógica. Alguns psicólogos defendem a idéia de que não se deve bater na cr. para que ela não se torne um adulto agressivo. A palavra chave é o equilíbrio. A Bíblia nos ensina a corrigirmos os nossos filhos com a vara. Não devemos bater com violência, com ódio nos olhos. É tarefa difícil, mas a cr. precisa perceber que você faz isso de coração partido, porque o ama e quer o seu bem.

Mudar de idéia a toda hora.

   Se o pai disser: “Você não vai ver Dragon Ball Z porque é um desenho violento e que ensina coisas erradas.” Aí a cr. chora, bate o pé e muitas vezes acaba cedendo. Quando você disser NÃO é NÃO. SIM é SIM. E também pode-se dizer “Vou pensar”, porque , na verdade, os pais precisam pensar bem para não dar uma resposta que mais tarde venha a arrepender-se. Ao contrário do que as crs. Pensam até uma certa idade, os pais não são os donos do saber, nem os donos da verdade. Como pais crentes em Jesus, precisamos buscar em Deus a sabedoria e orientação bíblica para as crs. Os pais devem ser exemplo para seus filhos. Testemunhar é importante para os de fora, mas principalmente para os de casa.

Comparar uma cr. à outra.

   “Ah, filho! João é tão quietinho. Por que você não é assim?” “Maria tirou 10 na prova, como você tirou 5?”
   Ao fazer comparações, os pais inibem as atitudes dos filhos, a criatividade, o crescimento intelectual e até afetivo da cr. É comum as crs. pensarem: “Minha mãe não gosta mais de mim.”

Ameaçar a cr. com coisas que não existem.

   “Não vá lá porque o velho do saco vai te pegar.” (bicho papão, homem malvado, bruxa do 71) Na cr. pequena (2,3 anos) isso causa um grande medo, insegurança e até pesadelos. É muito comum o pesadelo em crs. Eles são fruto das novas descobertas e de um mundo desconhecido que só os adultos conhecem. Se na cr. pequena esse tipo de ameaça for freqüente, ela poderá tornar-se um adulto inseguro, introvertido e tímido.

Deixar a cr. fazer o que bem entender, na hora em que quiser.

   É dever dos pais educar os filhos. Nenhuma mãe quer ver seu filho transformado num adulto mal educado, que não sabe se portar como deve na sociedade. Para que isso não aconteça, é preciso estabelecer limites, normas de conduta. (com quem brincar, a hora de brincar, as roupas a usar, palavras que não podem ser faladas, comportamento na igreja, etc.)

    Carolina Mendonça (psicóloga e sexóloga)