02/03/2013

Estudo mostra queda na qualidade do sêmen dos franceses.

 

Concentração média de espermatozoides caiu 32,2% entre 1989 e 2005.
Fatores como estresse e excesso de peso impactam fertilidade masculina.

Uma queda "significativa" da concentração de espermatozoides no sêmen e da qualidade deste, entre 1989 e 2005, na França, foi confirmada por um novo estudo realizado com mais de 26 mil homens.

"Até onde sabemos, trata-se do primeiro estudo que demonstra uma redução grave e geral da concentração do sêmen e de sua morfologia na escala de um país e durante um período importante", indicam os autores, que publicam seus resultados nesta quarta-feira na revista europeia "Human Reproduction".
"Isto é uma advertência séria", acrescentam, ressaltando que "a relação com o meio ambiente deve ser determinada'. Fatores relacionados à vida moderna, como o estresse e o excesso de peso, podem ter impacto sobre a fertilidade masculina.
Esta pesquisa confirma outras anteriores, mais limitadas, que já mostravam uma diminuição similar na concentração e qualidade do sêmen.
"Este é o maior estudo realizado na França e provavelmente no mundo, se levarmos em conta que trabalhamos com uma amostra representativa da população geral", disse à AFP a epidemiologista Joelle Le Moal, do Instituto de Vigilância Sanitária francês.
No período de estudado, a diminuição média na contagem de espermatozoides foi de 1,9% ao ano, o que leva a uma redução total de 32,2% na concentração.
Em um homem de 35 anos, nestes 17 anos, a contagem de espermatozoides passou de 73,6 milhões/ml para 49,9 milhões/ml em média.
Além disso, o estudo mostrou uma redução significativa de 33,4% na proporção de espermatozoides com forma normal no mesmo período.
Para formar o grupo, os pesquisadores utilizaram a base de dados de usuários do programa de ajuda à procriação da associação especializada Fivnat, que coletou até 2005 os dados de 126 centros.
As amostras de sêmen provêm dos casais com mulheres completamente estéreis -- com obstrução ou ausência das tropas de Falópio --, o que significa que estes homens não foram selecionados com base em seu nível de fertilidade, o que os aproxima da população geral.
As concentrações de esperma fértil permanecem no padrão médio determinado pela Organização Mundial da Saúde -- acima de 15 milhões/ml --, afirma a doutora Le Moal.
Mas, segundo alguns estudos, as concentrações abaixo de 55 milhões/ml influenciam na fertilidade de um casal -- e no tempo necessário para procriar, portanto. Contudo, isso também depende de outros fatores, incluindo o momento das relações sexuais em relação ao período fértil, por exemplo.
Por último, esta diminuição da qualidade do esperma na realidade pode ser ainda mais importante pelo fato de a população estudada ter, a priori, menor tendência a fumar ou à obesidade, dois fatores conhecidos por afetar a qualidade do sêmen, segundo os pesquisadores.

                                                                                             Fonte: G1