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09/06/2016

Como identificar e tratar a Gravidez Psicológica


A gravidez psicológica, também chamada de pseudociese, é um problema emocional que acontece quando os sintomas de gravidez estão presentes, mas não existe feto se desenvolvendo no útero da mulher, o que pode ser confirmado nos testes de gravidez e na ultrassonografia.
Este problema afeta principalmente mulheres que desejam muito engravidar ou naquelas que têm um grande receio de engravidar, como acontece durante a adolescência, por exemplo. Além disso, a gravidez psicológica também é frequente nos animais domésticos, sendo muito comum nas cadelas castradas ou que perderam seus filhotes.

Sintomas de gravidez psicológica

Os sintomas da gravidez psicológica são os mesmos de uma gravidez normal, apesar de não haver bebê sendo formado, tais como:
  • Enjoos;
  • Sonolência;
  • Desejos alimentares;
  • Ausência da menstruação;
  • Crescimento da barriga e das mamas;
  • Sensação de sentir o feto se mexer;
  • Produção de leite materno.
Esses sintomas são devidos a estímulos psicológicos que geram um aumento na produção dos hormônios da gravidez, como a prolactina, o que resulta em sintomas iguais aos de uma gravidez verdadeira. Veja os 10 primeiros sintomas de gravidez que também aparecem na gravidez psicológica.
Sintomas de gravidez, mas ausência de feto.Sintomas de gravidez, mas ausência de feto.

Exames que confirmam a gravidez psicológica

O diagnóstico da gravidez psicológica é feito através de exames como o teste de farmácia de gravidez e o exame de sangue Beta HCG, que irão dar resultado negativo, ou pelo exame de ultrassom, o qual irá mostrar que não existe feto no útero na mulher.
No entanto, algumas vezes os resultados dos exames não são suficientes para convencer a mulher de que não existe gravidez real, sendo necessário nesses casos acompanhamento psicológico para tratar o problema.

Principais causas da gravidez psicológica

As causas mais frequentes de gravidez psicológica são:
  • Desejo intenso de engravidar e dificuldade para engravidar;
  • Grande temor de engravidar;
  • Depressão e baixa auto-estima;
  • Período pós-histerectomia;
  • Desejo intenso de ter um companheiro ou de segurar o namorado;
  • Problemas conjugais, que fazem a mulher acreditar que a gravidez pode salvar o casamento.
Apesar de ser mais frequente nas mulheres, a gravidez psicológica também pode ocorrer em homens, geralmente como resultado de uma intensa ligação com a gravidez da parceira.
Se você está tentando engravidar, mas não está conseguindo, veja:

Como lidar com a gravidez psicológica

O tratamento para gravidez psicológica pode ser feito com o uso de medicamentos hormonais para regularizar a menstruação e para parar a produção de leite materno, mas também é fundamental o acompanhamento de um psicólogo ou psiquiatra para eliminar as causas que levaram ao desenvolvimento desse problema.
Assim, alguns dos remédios que podem ser indicados pelo médico podem ser a pílula anticoncepcional para regular a menstruação e o Dostinex para cessar a produção de leite materno. Além disso, pode também ser recomendada a Amitriptilina para o controle do humor e tratamento da depressão se for o caso. Veja algumas dicas para ajudar a lidar e ultrapassar a gravidez psicológica clicando aqui.
A duração do tratamento depende da compreensão e da colaboração da mulher e dos familiares, mas pode demorar meses para que o problema seja totalmente superado. É importante lembrar que parte essencial do tratamento é o apoio de amigos e familiares, que ajudam a criar um ambiente seguro no qual a mulher sente-se amada mesmo sem ter um bebê. Sessões de psicologia também podem úteis para ajudar a enfrentar esta situação.

02/09/2014

QUEM DISSE QUE AMAR NÃO EXIGE SACRIFÍCIOS?











   Andei escutando por aí que no amor não existe essa história de sacrifícios, de sacrificar-se em favor de alguém. 

   Quando pensamos na maternidade, acho que as pessoas entendem melhor sobre o tema, porque a maioria das mães abrem mão de muitas coisas para criar seus filhos. Mas, quando sacrifícios são relacionados à casamento, a história muda de figura. 
   Se não fizermos sacrifícios, o casamento acaba. Não estou delirando, não! No casamento é preciso ceder, doar e sacrificar-se. Muitas vezes é necessário deixar de lado as minhas vontades próprias em favor da felicidade do cônjuge. Nos tempos de hoje, onde o feminismo reina, onde o individualismo reina, onde o ter é mais valorizado que o ser, isso tudo parece até absurdo.
   É claro que os sacrifícios obedecem também à algumas regrinhas, como por exemplo: a preservação da vida e o equilíbrio emocional. Em nome de alguém não posso violar os ensinamentos Divinos.
   Olha o que Palavra de Deus diz aos maridos: "Maridos, amem suas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela."  (Efésios 5:25) Ora, não é esse um amor sacrificial? Cristo entregou-se por mim e por você! 
   Fico muito triste quando homem e mulher abandonam seus cônjuges por coisas das quais não deveriam. Uma pergunta que faço para os jovens que estão para se casar é:  "Você continuaria casado se seu marido ou mulher sofresse um acidente de carro, por exemplo, e ficasse paraplégico? Já pensou nisso?"
    Se fosse seu filho você não hesitaria em responder: "Jamais o abandonaria!"  Já se fosse o cônjuge!!!! Pensamentos do tipo: "Ah, não! Vou ter que ser babá de um marmanjo! "Vou ficar sem sexo?" (Embora, só fica sem sexo quem quer, porque sexo não é só penetração pênis-vagina!) "Minha vida vai mudar radicalmente. Não estou disposto!"
   Casamentos duradouros e felizes, só existem porque ambos entendem a necessidade de sacrifícar-se em favor de algo que é bem maior.
  Que reflitamos sobre o assunto e que façamos aquilo que é necessário para o sucesso do casamento!

   Com carinho, Carolina Mendonça.

   (Psicóloga especialista em Relacionamento Amoroso e Sexualidade Humana)

13/05/2014

PAIS SUPERPROTETORES PODEM IMPEDIR O DESENVOLVIMENTO DOS FILHOS





Com medo de que algo de ruim aconteça, muitos pais tendem a superproteger os filhos, ao ponto de impedir que tenham um desenvolvimento social e emocional normal, como se não fossem indivíduos com poder de decisão suficiente para suas idades e sem imaginar as consequências desastrosas para o futuro dos pequenos, que podem se tornar adultos inseguros e imaturos.
Segundo a psicóloga Moniki Trombine Caputo, superprotegendo os filhos, os pais não possibilitarão a liberdade de viver as dificuldades específicas de cada fase do seu desenvolvimento, necessárias para promover a construção dos recursos e das capacidades que as crianças aplicarão nas situações futuras da vida.
"Realizando coisas por eles ou eliminando deles, além de podarem o direito de se sentirem capazes, podarão o direito de desenvolverem a autonomia, a riqueza da construção de recursos e a sensação da conquista", explica.
Não existem posturas específicas que identifiquem ou classifiquem os pais como superprotetores, mas a maioria deles costuma impedir os filhos de andarem sozinhos, irem a padaria, mercado, ou brincar na rua, preferindo que eles fiquem seguros em casa jogando videogame ou vendo TV.
Para a psicóloga, os pais podem identificar se estão superprotegendo os filhos a partir dos seguintes episódios: os filhos apresentam preferência por um convívio mais restrito entre familiares, não se mostrando encorajados a enfrentarem o modo como os outros são, mostram-se inseguros nas diferentes atividades do dia a dia, até mesmo nas mais simples, necessitam constantemente da aprovação deles e apresentam insatisfação quando não são prontamente atendidos.
O momento violento quer a sociedade enfrenta alimenta ainda mais esse medo dos pais. Para lidar com isso, Moniki sugere que os pais reconheçam que esse medo é deles e não dos filhos. "O ideal é acreditar nas condutas transmitidas a seus filhos, como meio do mesmo se esquivar de situações conflitantes que gerem violência", argumenta.
Uma boa dica é que soltem as crianças aos poucos, lhe dando tarefas condizentes com suas idades, como ir comprar pão na padaria próxima ou permitir que brinque na rua de casa, com horário para entrada. Conforme forem sendo realizadas com segurança, a liberdade pode ser aumentada, sempre com a devida orientação quanto aos cuidados necessários para garantir seu bem estar.
Por Carmem Sanches

03/04/2014

Depressão e Família: Como a família pode ajudar um ente querido em depressão?



A  tristeza de não entender o triste

Muitos estudos e textos são produzidos a respeito do sofrimento que um quadro depressivo causa aos pacientes, mas é raro encontrar informações sobre como aliviar a dor de familiares e outras pessoas que acompanham este processo.
Nos atendimentos que realizei percebi muitos  dos sintomas que a familia apresenta frente a quadros de depressão severa de um ente querido. É realmente difícil, para uma pessoa que nunca teve depressão, entender aquela tristeza profunda que aparentemente não tem razão para existir. Neste caso, a sensação de incapacidade toma conta do indivíduo e com ela, é claro, fragilidades cognitivas e pensamentos perturbadores são estimulados.
Não é raro, por exemplo, que o cuidador, em determinado momento, se culpe pela tristeza do outro. Afinal, ele faz parte da vida do paciente e, de várias formas, compartilhou momentos infelizes ao seu lado. Este sentimento gera muita tristeza e acaba por diminuir a força vital que ele teria para ajudar nesta fase tão complicada.
Outra fase, não menos sofrida, é a da irritabilidade. A pessoa acredita que aquilo pode ser “frescura” ou “preguiça” e que nada do que ela faça pode ajudar o doente a melhorar. Este pensamento desencadeia conflitos que são difíceis de amenizar.
Existem também outros sentimentos e eles se manifestam de maneira diferente em cada pessoa, mas os citados acima são os mais comuns e severos.
De qualquer maneira, o importante é que o cuidador entenda que a depressão é uma doença e a tristeza profunda e o desânimo são sintomas que não estão necessariamente relacionados com as pessoas à sua volta. Aceitar esse fato vai tornar o processo menos complicado.
Por isso é importante, quando possível, buscar apoio psicológico também para a família. Isso vai ajudar a todos a enfrentar o problema de maneira menos dolorosa e, consequentemente, refletir positivamente no tratamento do paciente que, além do apoio profissional, contará com o afeto de familiares e amigos esclarecidos sobre a situação.
Seguindo essas orientações,  o quadro depressivo pode ter melhora significativa e a vida retoma seu curso natura. Em muitos casos, com uma família mais fortalecida e feliz.

Margarida Antunes Chagas
Psicoterapeuta Cognitiva

24/03/2014

Carinho dos pais faz bem e ajuda no desenvolvimento das crianças

Afeto e atenção ajuda o cérebro dos pequenos a crescer mais saudável.

Do G1


Para ter uma boa saúde e evitar doenças, de maneira geral, é preciso se afastar de uma série de riscos. No entanto, existem casos em que se arriscar pode fazer bem – por isso, permitir-se mais e entregar-se em alguns momentos da vida pode ser a receita para viver com saúde.
 A  pediatra Ana Escobar e o imunopediatra Victor Nudelmann explicaram como um carinho, um sorriso ou até mesmo uma brincadeira na sujeira podem ser benéficos e melhorar a qualidade de vida.
No caso das crianças, o carinho pode fazer muito bem e até ajudar no desenvolvimento. Isso porque, quando a criança recebe um abraço, a produção dos hormônios do estresse diminui e o corpo começa a produzir os hormônios de bem-estar. Com isso, o coração desacelera, a cabeça relaxa e vem o sorriso. De acordo com a pediatra Ana Escobar, o toque e afeto dos pais estimula também as conexões cerebrais dos bebês e pode ajudar a melhorar uma série de fatores, como a atenção e o aprendizado, por exemplo.
No entanto, essa cena de carinho entre pais e filhos ainda é rara - pesquisas recentes mostram que, para os pais, o carinho e a conversa são menos importantes no desenvolvimento dos filhos do que a educação, a alimentação e os brinquedos. Só que, na verdade, o afeto pode ajudar muito e, por isso, uma dica muito importante para garantir a saúde dos filhos é brincar com eles, como mostrou a reportagem do Phelipe Siani.
Além do carinho, um abraço, um animal de estimação e até mesmo um doce podem ajudar a aumentar a sensação de prazer e bem-estar, seja de adultos ou crianças. Ou seja, em alguns momentos da vida, é importante prestar atenção em gestos simples, mas que trazem grandes benefícios para a saúde.
Os médicos falaram ainda sobre os 'riscos do bem', que podem fazer bem principalmente para a saúde de bebês. Depois que sai do útero da mãe, todo tipo de exposição interfere diretamente na imunidade da criança.
Estudos mostram, inclusive, que quanto mais “seguro” for o ambiente em que a criança cresce, mais fracas serão suas defesas – por isso, uma das dicas é expor a criança à vitamina S, a vitamina “da sujeira”. Essa vitamina é produzida pelo corpo do bebê quando ele se expõe a situações de risco, como uma brincadeira na areia, por exemplo – ao perceber a ameaça, o corpo cria anticorpos e, da próxima vez que ele entrar nessa mesma situação, estará protegido.
No entanto, é importante que o bebê seja exposto gradualmente a esses riscos. No caso das mães, porém, a preocupação com os filhos é sempre muito grande e, segundo a pediatra Ana Escobar, é bom deixar um pouco a proteção de lado e deixar a criança em contato com a "sujeira caseira". Por exemplo, quando o bebê ainda é pequeno, as mães se preocupam em lavar a mamadeira e a chupeta com água fervente para esterilizar o bico, porém, aos 3 meses, a criança já começa a desenvolver os dentinhos e a colocar tudo na boca, ou seja, a esterilização não é mais necessária – basta apenas lavar com água e sabão.

03/12/2013

CIENTISTAS ESTÃO MAIS PERTO DE PÍLULA PARA HOMENS.


Pesquisadores descobriram forma reversível de impedir saída de esperma, mas medicamento pode levar uma década para ser desenvolvido.
Da BBC

Novo tratamento pode ser revertido facilmente, segundo cientistas (Foto: BBC)Novo tratamento pode ser revertido facilmente, segundo cientistas (Foto: BBC)
Cientistas australianos estão mais próximos de sintetizar uma pílula anticoncepcional para homens - mas o medicamento ainda levará mais de 10 anos para chegar às farmácias.
Os pesquisadores da Universidade Monash, em Melbourne, encontraram uma forma reversível de impedir que os espermatozoides saiam junto com a ejaculação, sem afetar a função sexual.
Testes em animais mostraram que o esperma pode ser mantido "em estoque" durante a relação.
A busca por um anticoncepcional masculino até o momento se concentrou em pesquisar como os homens poderiam produzir espermatozóides não funcionais.
Mas alguns medicamentos usados com este objetivo também tinham efeitos colaterais considerados "intoleráveis", segundo Sabatino Ventura, um dos pesquisadores da Universidade Monash.
Estes medicamentos provocavam a infertilidade, mas também afetavam o apetite sexual ou causavam alterações permanentes na produção dos esperma.
A descoberta foi publicada na revista especializada "Proceedings of the National Academy of Sciences".
Estoque
Para chegar a este novo anticoncepcional masculino, os pesquisadores australianos tentaram uma abordagem diferente. Normalmente o esperma sai da "área de estoque" no canal deferente antes da ejaculação.
O grupo de pesquisadores produziu camundongos geneticamente modificados que não conseguiam expelir o esperma para fora do canal deferente.
"O esperma fica no local de estocagem então, quando o camundongo ejacula, não há esperma, ele é estéril", disse Ventura à BBC.
"É facilmente reversível e o esperma não é afetado, mas precisamos mostrar que podemos fazer isto em termos farmacológicos, provavelmente com dois medicamentos", acrescentou.
Até o momento o grupo de pesquisas fez com que os camundongos ficassem estéreis mudando o DNA dos roedores para que eles parassem de produzir duas proteínas necessárias para mover o esperma.
Agora, os cientistas precisam descobrir duas drogas que possam produzir o mesmo efeito. Eles acreditam que uma delas já foi desenvolvida e é usada há décadas em pacientes com crescimento benigno da próstata.
Mas a descoberta do segundo medicamento necessário pode levar até uma década.
O processo descoberto pelos cientistas australianos também não é totalmente livre de efeitos colaterais. As proteínas que foram alteradas pelos cientistas têm um papel no controle dos vasos sanguíneos, então os efeitos colaterais poderão afetar a pressão e o batimento cardíaco.
Mas, pelo menos nos camundongos, a única alteração detectada foi uma queda "muito pequena" na pressão sanguínea. Também pode haver uma alteração no volume da ejaculação.
"É um estudo muito bom, quase como uma vasectomia biológica, que impede a saída do esperma", afirmou Allan Pacey, palestrante de andrologia na Universidade de Sheffield, na Inglaterra.
"É uma boa ideia, mas eles precisam continuar (com a pesquisa) e observar o que faz com as pessoas", acrescentou.

01/11/2013

Homem reverte vasectomia após 24 anos para ser pai pela terceira vez.

Fila de espera para cirurgia no Hospital das Clínicas de SP é de 5 anos.

Em outro caso, paciente esterilizado optou por fazer reprodução assistida.


Empresário João Bosco com o filho João, hoje com 3 meses (Foto: Arquivo pessoal)Empresário João Bosco com o filho caçula, João,
hoje com 3 meses de vida (Foto: Arquivo pessoal)
Assim que sua segunda filha nasceu, em 1986, o empresário do setor de laticínios João Bosco, de 58 anos, decidiu fazer vasectomia, pois não pretendia mais ser pai. Após 24 anos da cirurgia de esterilização, porém, o morador de Macheral Cândido Rondon (PR) reverteu o procedimento, e agora comemora a chegada do caçula, João, de 3 meses, fruto de seu segundo casamento.
"Quando a gente é jovem, a função do pai é prover a família com recursos financeiros. E o começo da vida profissional coincide com o início da vida familiar, aí o homem fica dividido. Na época, dei muita prioridade ao trabalho e não tive oportunidade de conviver como queria com as minhas filhas e participar do desenvolvimento delas", lembra.
Já na atual etapa da vida, mais estabelecida, João diz que teve mais chances de curtir a gravidez da mulher, Simone, de 35 anos, e agora o terceiro filho. Para aguentar todo esse pique, o empresário cuida da saúde e faz atividade física (academia, futebol, squash e bicicleta).
"Queria muito um filho homem, foi um presente de Deus maravilhoso. Tive uma infância rica em experiências, e não pude compartilhar essas brincadeiras de moleque com as meninas (Gláucia, hoje com 31 anos, e Gisele, com 27). Espero fazer isso com ele, ensiná-lo a jogar pião, queimada, bolinha de gude, taco, bafo, soltar pipa, andar de carrinho de rolimã, colecionar gibi", enumera o pai – que já é avô de João Rafael, de 5 anos, e Ana Clara, de 1.
João, hoje com 3 meses, é o terceiro filho do empresário João Bosco, após vasectomia (Foto: Arquivo pessoal)João, agora com 3 meses, é o 1º filho do empresário João Bosco após a vasectomia (Foto: Arquivo pessoal)
João Bosco com toda a família reunida (Foto: Arquivo pessoal)João Bosco com toda a família reunida: da esq. para a dir., o genro Rodolfo, a filha Gisele, a mulher, Simone, o filho João, os netos João Rafael e Ana Clara, a filha Gláucia e o genro Rafael (Foto: Arquivo pessoal)
Pai por reprodução assistida
Além da possibilidade de reverter a vasectomia com cirurgia, existe a opção de recorrer a uma técnica de reprodução assistida. Dessa forma, é introduzida uma agulha nos testículos do homem, por meio da qual os espermatozoides são retirados. O médico, então, põe esses gametas em uma placa, em contato com um óvulo da mulher, para gerar um embrião e, depois, inseri-lo no útero da mãe.
Valentina, fruto de reprodução assistida (Foto: Leandro Campos/G1)Valentina, de 4 meses, nasceu após reprodução
assistida em Santos (Foto: Leandro Campos/G1)
Essa foi a alternativa escolhida pelo técnico de montagem Deucimar Moreira, de 46 anos, que havia feito vasectomia aos 21, sem "maturidade nem conhecimento de vida". O morador de Santos, no litoral paulista, passou 18 anos em um relacionamento com uma mulher mais velha, que o incentivou a fazer a esterilização, mas a relação acabou e, há 7 anos, ele conheceu sua mulher, Simone.
"Depois que nos encontramos, despertou a vontade de ter um filho, e chegamos à conclusão de que iríamos batalhar por isso. Agora, depois de três tentativas, o resultado está na minha casa: a Valentina, uma princesa linda e saudável, que nasceu no dia 2 de abril", revela.
Deucimar afirma que essa é uma emoção que ele ainda não conhecia e que sua casa ficou cheia de alegria. A felicidade foi tanta, que o casal já pensa em ter uma segunda criança, também por reprodução assistida.
A mãe, a engenheira Simone Ninelli, de 38 anos, acrescenta: "Nós dois queríamos muito (a Valentina), e ele ainda mais, por ter feito a vasectomia. Ela é o nosso ouro".
Deucimar, Simone e Valentina em casa, em Santos (Foto: Leandro Campos/G1)Deucimar e Simone posam com Valentina dormindo na sala de casa, em Santos (Foto: Leandro Campos/G1)
Vasectomia no Brasil
A idade média dos homens que fazem vasectomia no Brasil é de 27 anos na rede pública e de 34 no sistema privado, segundo o urologista Jorge Hallak, chefe do Laboratório de Andrologia do Centro de Reprodução Humana do Hospital das Clínicas (HC) em São Paulo.
Segundo o Ministério da Saúde, o número de esterilizações masculinas feitas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) subiu de 7.798 em 2001 para 34.144 em 2009, um aumento de mais de 4 vezes. Para ser submetido à operação, o homem precisa ter acima de 18 anos e dois filhos ou acima de 25 anos, com ou sem filhos, explica o urologista Sidney Glina, que realiza tanto reversões de vasectomia quanto reprodução assistida.

Mais de 30 milhões de casais em todo o mundo usam a vasectomia como método de controle da natalidade, de acordo com Hallak. Só nos EUA, são feitas cerca de 550 mil esterilizações masculinas por ano, aponta o urologista do HC.
"É um absurdo um menino de 18 anos fazer isso, porque ele não tem condições de saber se vai querer ter filho aos 30. É um método radical, e para contracepção existem camisinha, pílula, DIU (dispositivo intrauterino)", enumera Glina.
Maioria se casa de novo
Segundo o médico Sidney Glina, de todos os pacientes que fazem vasectomia, entre 6% e 10% mudam de ideia. E a maioria desses homens são aqueles que já tiveram dois filhos, em média, e se casaram de novo, geralmente com uma mulher mais jovem.
"Esses casos de segundo casamento respondem por até 95% dos desejos de reversão. Os outros 5% são homens que se divorciaram e casaram novamente com a mesma mulher, melhoraram de situação financeira ou perderam um filho", explica o urologista Jorge Hallak.
A reversão tem uma taxa média de sucesso – ou seja, a mulher engravida – em cerca de 60% dos casos. E, quanto menor o tempo em que o homem fica esterilizado, melhor: se o período for inferior a três anos, as chances chegam a 76%, contra 30% se a vasectomia durar mais de 15 anos, destaca Hallak. A idade da mulher é outro fator que conta muito nessas situações.
É um absurdo um menino de 18 anos fazer isso (vasectomia), porque ele não tem condições de saber se vai querer ter filho aos 30"
Sidney Glina,
urologista
Duas opções
Para o urologista Sidney Glina, do ponto de vista fisiológico do homem, é sempre melhor tentar primeiro reverter a vasectomia. Segundo ele, alguns casais optam pela reprodução assistida porque a mulher já é mais velha, e "eles querem engravidar amanhã".
"A reversão poupa a mulher que não tem problema de fertilidade, pois ela não precisa tomar remédio, levar anestesia, fazer punção", afirma o médico.
Uma cirurgia de reversão também é mais barata: custa cerca de R$ 10 mil a R$ 15 mil em clínicas privadas, contra R$ 5 mil a R$ 30 mil por tentativa de reprodução assistida – o que geralmente exige mais de uma, segundo Glina.
No HC de São Paulo, a fila de espera para uma cirurgia de reversão chega a cinco anos, com 370 pacientes atualmente, aponta Hallak. Outros hospitais públicos da capital paulista também fazem a cirurgia de graça, como o Hospital Ipiranga, o Hospital Pérola Byington, o Hospital São Paulo e a Santa Casa, acrescenta Glina.
"A ordem de chegada é respeitada, mas outros fatores também são considerados, como a idade da mulher", diz Hallak.
A cirurgia leva de três a cinco horas e precisa ser feita em ambiente cirúrgico, pois exige anestesia geral e internação, de acordo com o urologista do HC.
A ordem de chegada é respeitada (na reversão), mas outros fatores também são considerados, como a idade da mulher"
Jorge Hallak,
urologista
O pós-operatório demanda dois dias de repouso, até uma semana sem dirigir, de duas a seis semanas sem relação sexual – dependendo da recomendação médica –, até um mês sem esporte, dois meses sem andar de bicicleta e três meses sem andar de moto ou montar a cavalo.
Já na reprodução assistida, as chances de o processo dar certo variam entre 40% e 50%, segundo o médico Condesmar Marcondes, do Núcleo Santista de Reprodução Humana.
"Mulheres que têm pressão alta, diabetes, câncer ou já fizeram cesáreas anteriormente não devem realizar esse procedimento", alerta o especialista.
Pai até os 45
Ao contrário da mulher, que nasce com o número exato de óvulos que vai liberar ao longo da vida, entre a menarca (primeira menstruação) e a menopausa (última), o homem produz espermatozoides continuamente.
Apesar disso, o urologista Jorge Hallak acredita que o ideal é ser pai até os 45 anos, porque com o envelhecimento começam a surgir mais alterações genéticas no DNA, o que pode comprometer os gametas masculinos.
Info vasectomia e laqueadura (Foto: Arte/G1)

 

14/10/2013

Onde seu filho vai estudar?

 

              UOL
Quem disse que a escolha da escola precisa ser para sempre?
                    
Quem disse que a escolha da escola precisa ser para sempre?
– Você já decidiu em que escola vai colocar o seu filho?
Basta um grupo de mães e pais de crianças pequenas se juntar que essa pergunta, invariavelmente, surge. A escolha da escola é talvez uma das decisões mais importantes e angustiantes com a qual temos de lidar na primeira infância dos nossos filhos. E é, justamente, nesta época do ano que o assunto está ainda mais em voga: chegou a fatídica hora da matrícula.

O que levar em conta na hora de escolher a escola, muitas reportagens por aí indicam: é preciso analisar fatores como modelo de ensino, preço, distância da sua casa, cultura, experiência dos professores, tamanho da instituição etc. Sempre levando em conta que cada família tem um perfil, e cada criança tem sua personalidade e suas necessidades.

Aqueles que estão mais preocupados com o mercado de trabalho do que com a vida ainda sugerem que se olhe atentamente a colocação da escola no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e a dificuldade de entrada naquela instituição no futuro –se for muito difícil de entrar lá na frente, sugerem matricular a criança nesse disputado colégio desde bem pequena, quando o número de vagas é maior.

Sim, muitas famílias escolhem a escola de crianças de dois ou três anos com base no preparo que elas podem ter para o vestibular e o mercado de trabalho. Não importa se a escola é grande demais, tradicional demais, puxada demais, longe demais: o importante é que ela tem uma das melhores colocações no Enem. "A criança tem de se preparar para o mundo como ele é, competitivo", dizem eles.

Sobre nossos ombros de pais incide o peso de uma escolha que vai influenciar o futuro dessas crianças. Uma decisão que vai ser a responsável por um grupo de amizades que ajudarão a formar a personalidade delas. A sociedade nos cobra, nós nos cobramos mais ainda.

Agora me pergunto: será mesmo que essa decisão precisa ser para sempre? Será mesmo que temos de escolher a escola de uma criança pensando no mercado de trabalho? Será mesmo?

Visitamos várias escolas antes de tomar a decisão de onde nossa filha mais velha vai começar a cursar o primeiro ano do ensino fundamental. Levamos em conta todos os fatores mencionados aí em cima: modelo de ensino, distância, cultura etc. Mas, no fundo, o fator que mais pesou na nossa decisão foram os valores.

Não queremos criar robôs nem crianças consumistas nem crianças estressadas por excesso de informação ou de pressão. Não queremos que nossas filhas convivam em um ambiente irreal de famílias que valorizam mais o ter do que o ser. Queremos que sejam crianças felizes. Muito estimuladas e recebendo o conteúdo necessário, obviamente, aprendendo a pensar, argumentar, questionar. Mas, acima de tudo, que respeitem o próximo e entendam que elas têm tudo o que têm porque seus pais ralam muito pra isso. Queremos uma escola que acolha as famílias, e professores e diretores que olhem no olho. E que tenham brilho nesses olhos.

Se estamos 100% seguros da nossa escolha? Não, não estamos, porque sempre existirá aquele peso do quanto essa decisão influenciará no futuro das meninas. Só vivenciando para saber, depois volto pra contar.

Procuro pensar muito no que a diretora da atual escola delas me disse uma vez: quem disse que tem de ser para sempre? No fundo, ela me disse o que eu queria ouvir: siga o seu coração. E se lá na frente achar que faz sentido promover uma mudança, isso pode até ser bom. A criança vai aprender a lidar com a situação e isso pode ajudá-la a se tornar um adulto com mais capacidade de adaptação a novos ambientes.

16/09/2013

Mulheres que passam por período de estresse intenso podem ter curso da gravidez alterado.

Por Ariane Donegati, filha de Jane e Julio 



Durante a gravidez, mãe e filho estão interligados física e psiquicamente. O que a  mãe sente é percebido pelo bebê, mesmo porque o estresse provoca alterações físicas. Segundo a ginecologista e obstetra da Clínica Plena, Denise Wiggers, mãe de Vicente, o trauma em si não costuma afetar o curso da gestação, mas algum estresse poderia, sim, desencadear sintomas físicos.
Os ritmos corporais mudam, provocando, por exemplo, aumento da frequência cardíaca. Dentro da barriga, seu filho ouve as batidas do seu coração, o bombeamento do sangue, os barulhos do sistema digestivo.

Dentro do possível, o melhor é evitar situações estressantes, mas a gente sabe que nem sempre é. Pode acontecer de a futura mãe sofrer um trauma, como a perda de alguém muito querido. Qual o impacto de uma situação traumática sobre o bebê?
Nesta semana, o músico Champignon cometeu suicídio e sua esposa, Claudia Campos, grávida de cinco meses, ficou em estado de choque. Num caso como este, em que a pessoa passa por um trauma, o bebê, que ainda não consegue codificar essa sensação, recebe as emoções através das sensações da mãe.

Para a psicoterapeuta Alina Purvinis, mãe de Larissa, Liana e Letícia, cita um estudo do psiquiatra norte-americano David Viscott , que enfatiza o vínculo criado entre mãe e bebê ainda na barriga. O autor simulou o barulho do sangue da mãe passando rapidamente pelos vasos sanguíneos, representando uma situação de estresse da grávida. O paciente submetido à experiência sofreu uma crise de pânico apenas ouvindo o som.  O experimento mostra que fatores emocionais da grávida podem afetar a criança emocionalmente.
Se a mulher sofreu um trauma ou estresse intenso durante a gestação, um dos caminhos é procurar terapia de apoio ainda na gravidez para tentar minimizar os efeitos do trauma para ela e para o bebê.
A professora da Escola de Medicina de Monte Sinai e o psiquiatra Rachel Yehuda, junto com o professor de medicina molecular Jonathan Seckl, estudaram as grávidas que presenciaram o atentado às Torres Gêmeas, nos Estados Unidos, que aconteceu há 12 anos. As crianças nascidas pouco após o atentado apresentaram um nível de cortisona (hormônio ligado ao estresse) no sangue mais alto do que a média da população.

Para a psicóloga e psicanalista Cynthia Boscovich não é possível  generalizar sobre como cada um irá responder a algum trauma ou estresse profundo, depende de algumas variáveis como condição física, emocional e história de vida da pessoa.  “O que sabemos é que a glândula suprarrenal pode secretar algumas substâncias no sangue, como cortisol ou adrenalina, que são capazes de fazer com que o organismo se altere, o que causaria algum tipo de sintoma,como aumento da pressão arterial ou dos batimentos cardíacos, sudorese, alterações do sono, entre outros”, diz.
Mas, como lembra a psicóloga, isso não deve ser encarado como regra. Muitas mulheres podem passar por um estresse intensomas, com equilíbrio, mantendo certos cuidados e com ajuda, podem seguir a gestação normalmente. Mas também pode acontecer de a mulher sofrer com este trauma e, consequentemente, o bebê. Neste caso, o indicado é procurar por um especialista que a ajude a superar ou lidar da melhor forma possível com isso. Pode não ser fácil, mas buscar apoio ajuda bastante.


Consultoria: Alina Purvinis, mãe de Larissa, Letícia e Liana, gestal-terapeuta (www.nucleogestalt.com.br); Denise Wiggers, mãe de Vicente, ginecologista o obstetra da Clínica Plena; Cynthia Boscovich, mãe de Bruno e Giovanna, psicóloga clínica, psicanalista,membro regular da sociedade brasileira de psicanálise Winnicottiana, (www.cuidadomaterno.com.br).

14/07/2013

Estudo sugere que dormir tarde pode afetar aprendizado das crianças.

 

Segundo os autores, isso acontece porque poucas horas de sono podem afetar os ritmos naturais do corpo
 
Pesquisadores britânicos concluíram em uma pesquisa que dormir muito tarde e a falta de rotina na hora de dormir pode prejudicar a capacidade de aprendizado das crianças.
O estudo, divulgado na publicação científica "Epidemiology e Community Health", relacionou o padrão de sono à capacidade intelectual com base em um levantamento feito com mais 11 mil crianças hoje com sete anos.
Aquelas que não tinham hora para dormir, ou que iam dormir depois das 21h, apresentaram resultados mais fracos em testes.
Segundo os autores do estudo, isso acontece porque poucas horas de sono podem afetar os ritmos naturais do corpo, dessa forma prejudicando a forma como o cérebro assimila novas informações.

Cumulativo
Foram reunidos dados das crianças pesquisadas nas idades de três, cinco e sete anos. O estudo tinha como objetivo avaliar o nível de aprendizado e entender se existe realmente uma relação entre aprendizado e os hábitos de sono.
O estudo mostrou que a falta de regularidade na hora de dormir era mais comum para aqueles com três anos, onde um em cada cinco ia dormir em horários variados.
Quando completaram sete anos, mais da metade delas passaram a ter um horário regular para dormir, entre 19h30 e 20h30.
Em geral, as crianças que nunca tiveram hora para dormir apresentaram maior tendência a ter resultados mais fracos que seus colegas nos testes de leitura, matemática e também percepção espacial.
O impacto foi mais evidente na primeira infância (de zero a três anos) de meninas do que de meninos, e aparentou ser cumulativo.



"Que Cara É Essa?" (editora Caramelo), de Nicola Smee, conta a história de um garotinho que estava brincando de bola com seu cachorro, quando um urso aparece e leva o brinquedo embora. A cada situação, uma nova reação surge no rosto do garoto. São apresentadas as feições de felicidade, susto, tristeza e muitas outras. Ao fim do livro, a criança pode praticar as caretas no espelho que acompanha a publicação. A obra pode ser encontrada na Saraiva (http://www.saraiva.com.br) e custa R$ 45,90.
 
Fatores familiares
Os pesquisadores, liderados pela professora Amanda Sacker, do University College de Londres, dizem que a falta de regularidade na hora de dormir pode ser um reflexo de configurações familiares caóticas, e que talvez seja isso, e não o sono interrompido, que tenha um impacto sobre o desempenho cognitivo das crianças.
"Tentamos levar essas coisas em consideração", disse Sacker.
O estudo mostrou que os que dormiam tarde, e não tinham hora para dormir, vinham com mais frequência de classes socias mais desfavorecidas, não escutavam histórias antes de dormir, e, em geral, assistiam mais televisão - muitas vezes em seu próprio quarto.
Mas, mesmo levando em conta esses fatores, a relação entre o fraco desempenho intelectual e a falta de regularidade na hora de dormir ainda foi considerada significativa, de acordo com os cientistas.
"A mensagem que devemos levar para casa é que a rotina é realmente importante para as crianças", disse Sacker. "O melhor é estabelecer uma boa rotina para a hora de dormir desde cedo, mas nunca é tarde demais para começar."
Por outro lado, Sacker diz que não existe prova que colocar a criança para dormir antes das 19h30 faz com que sua capacidade de raciocínio possa melhorar.
O médico Robert Scott-Jupp, do Royal College of Paediatrics and Child Health de Londres , disse que "à primeira vista, esta pesquisa parece sugerir que dormir pouco torna as crianças menos inteligentes, no entanto, é claramente mais complicado do que isso."
"Embora seja provável que os fatores sociais e biológicos do desenvolvimento do cérebro estejam inter-relacionados de forma complexa, na minha opinião, para que crianças em idade escolar tenham o seu melhor desempenho, todos elas devem, independentemente da sua origem, ter uma boa noite de sono", analisou.

03/06/2013

Por que algumas filhas repetem atitudes que criticavam nas mães?


                    
    Nem sempre é possível perceber a reprodução das atitudes maternas. É comum que o parceiro note isso
Reclamar o tempo todo que está cansada, dizer que o marido não reconhece seus esforços, arrumar armários ou a mala de um certo jeito, criticar algo ou alguém que a mãe criticaria e dar bronca nas crianças do mesmo jeito que ela dava. Em determinado momento da vida, em geral na idade adulta ou quando nasce o primeiro filho, a maior parte das mulheres se dá conta de que está reproduzindo as mesmas atitudes e erros maternos que sempre criticou. E, muitas vezes, faz tudo isso até mesmo usando palavras e entonações parecidíssimas com as da mãe.
De acordo com a psicóloga Heloísa Schauff, essa repetição incômoda é humana e normal. "A maneira como a mãe fala sobre o mundo quando somos crianças tem uma enorme influência sobre nosso estilo de ver os acontecimentos, fazer as coisas e explicá-las", diz. A terapeuta sexual e de casais norte-americana Sandra Reishus, autora de "Putz! Virei a minha mãe!" (Ed. Carpe Diem), chama isso de "gene-mãe", uma espécie de herança que interfere nas mais diversas áreas da vida.

Para a psicóloga Marina Vasconcellos, o processo é uma espécie de "contágio psicológico" que pode até definir escolhas amorosas ou relativas à profissão. "Se a mãe, por exemplo, teve um casamento infeliz, mas nunca optou por romper a relação por causa da família, é possível que a filha internalize que amar envolve abnegação e sacrifício e se envolva em relacionamentos opressores. É uma escolha inconsciente".
Embora a figura materna seja a primeira e principal influência na vida dos filhos, esse "déjà vu" não é tão comum nos homens. A relação mãe e filha é bem mais complexa. Ao longo dos anos, as filhas quase que diariamente ouvem o que suas mães dizem e tendem a adotar o mesmo estilo e maneira de ser delas. "As meninas têm sua atenção totalmente voltada para a maneira e as emoções com que as mães falam dos acontecimentos. Elas observam atitudes, comportamentos e conclusões", diz Heloísa.
Segundo a psicóloga Rejane Sbrissa, nem sempre é possível perceber a reprodução de alguma atitude ou frase materna. É quando alguém --o parceiro, em boa parte dos casos-- nota ou critica a repetição que acontece a surpresa. "O incômodo é uma tentativa de negação. A pessoa quer acreditar que não agiu da mesma forma, mas irrita-se ao se dar conta de não conseguiu agir de outro modo", afirma Rejane.

Como romper os padrões
 
Um olhar mais humano em relação à história de vida materna ajuda a encarar o efeito de repetição de um modo leve. A mãe muitas vezes revive e repete com a filha as dificuldades que teve com a própria mãe. No livro "Criando meninas" (Ed. Fundamento), a psicóloga e terapeuta familiar Gisela Preuschoff compara essa conexão com as matrioskas, aquelas bonecas russas coloridas que trazem uma boneca dentro da outra. "Elas representam claramente essa relação tão próxima: geração após geração, uma mulher emerge da outra", escreve.
O fato de a mãe ser, geralmente, a pessoa que melhor nos conhece na vida pode acabar nos tornando reféns dela. Assim, para muitas mulheres, não querer ser como a mãe e evitar cometer os erros dela seria, inconscientemente, uma forma de traição, que gera culpa. Mas é possível romper os padrões, viver da maneira que se quer e enfrentar os fantasmas maternos, sem magoar ou ofender a mãe. "É importante que se estabeleça a comunicação e o estabelecimento de limites de forma calma, assertiva e afetuosa entre mãe e filha. Isso ajuda a construir um diálogo que evidencia a parceria e o respeito", diz Heloísa.
Na opinião de Rejane, não há problema algum em amar profundamente a mãe e, ainda assim, não querer ser como ela em alguns aspectos. "Gostamos de pessoas com defeitos e qualidades. Com a mãe é a mesma coisa. É ótimo quando a filha sabe diferenciar o que é bom fazer igual e o que não é, pois isso evita a reprodução daquilo que ela não gosta. Mas é preciso trabalhar essa consciência, ter auto-conhecimento", explica a psicóloga. "Amar não é tentar ser igual", diz.
É necessário também exercitar o discernimento. Para Marina, perceber a repetição de algumas frases ou ações até pode incomodar, mas nem tudo é grave. "Tente modificar aquilo que realmente atrapalha e chateia a si mesma e aos outros", diz. Prestar mais atenção nas ações que se admira na mãe também ajuda a lidar com o incômodo e até se orgulhar das reproduções de atitudes positivas.

                                                                                                                                 Fonte: UOL