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28/01/2018

VAGINISMO: entenda o que é e como essa disfunção sexual interfere na vida da mulher e no casamento.


 Por: Carolina Mendonça
         Psicóloga e Sexóloga

  Você possui alguma conhecida que esteja casada há anos e que ainda seja virgem? Ou conhece alguma mulher que só consegue ser penetrada até determinado ponto porque a dor que sente é insuportável? Ou ainda, quem sabe, um casal que tenha se separado por não conseguir ter uma relação sexual plena?
   Para as mulheres que recebem o diagnóstico de vaginismo, essa é uma realidade que traz profunda frustração, desespero e, consequências sofridas para o casamento.

Entenda o que é

   O vaginismo é a contração dos músculos próximos à vagina, dificultando e até impossibilitando a penetração. É importante salientar que essa contração é involuntária: a mulher não percebe que contrai os músculos da vagina. Essa disfunção sexual origina um círculo vicioso: ansiedade→ tensão→ dor→ ansiedade→ tensão→ dor... Torna-se uma resposta aprendida desenvolvida pela associação de dor ou medo da penetração vaginal.

As causas

   O medo da penetração pode derivar de traumas de infância; abuso sexual; falta de informação; informações erradas ou confusas sobre sexo; questões religiosas que associam o sexo ao pecado; sentimentos de culpa; desconhecimento da própria anatomia feminina; e, até problemas físicos reais.
   Dentre os problemas físicos encontram-se quaisquer patologias da região pélvica que torne a relação sexual dolorosa. Exemplos: endometrite; doenças inflamatórias; herpes genital; vaginite atrófica; e até restos de hímem e hímem rígido. Todas as patologias de causa física trazem dor, podendo por isso, desencadear o vaginismo.
   É importante esclarecer que a maior parte das mulheres que sofrem dessa disfunção, a desenvolvem por motivos de natureza psicológica. Talvez você já tenha ouvido a frase: “O cérebro é o maior e o mais importante órgão sexual.” O que isso quer dizer? Quando o vaginismo é causado por fatores psíquicos, é o psicológico que deve ser focado. Por vezes, é necessário dizer à paciente: “Não há nada de errado com a sua vagina. Precisamos trabalhar a sua cabeça!” O cérebro é quem comanda o corpo. E é assim em todas as áreas, inclusive na sexual. Isso vale para mulheres e para homens. Grande parte das disfunções sexuais femininas e masculinas tem raízes emocionais. Logo, o tratamento psicológico é fundamental.

Então, o que fazer?

   O primeiro passo é procurar um ginecologista para verificar ou descartar quaisquer patologias de ordem física. Depois de tratadas, algumas mulheres conseguem ter relação sexual normalmente. Outras, precisam do atendimento do psicólogo/sexólogo, mesmo quando a origem é física, por deixar sequelas emocionais. Quando o vaginismo é 100% de origem emocional, a mulher deve procurar um psicólogo/sexólogo para iniciar o tratamento.

O tratamento

   O tratamento consiste em duas etapas, que podem acontecer em momentos distintos ou simultaneamente, dependendo do caso: a psicoterapia, que pode acontecer individualmente ou a dois (marido e mulher) e a dessensibilização.
   Na psicoterapia, são trabalhados os aspectos emocionais que levam à dor e ao medo da penetração vaginal. Na dessensibilização, a paciente passa pelo processo de perda gradual da “sensibilidade negativa” ou “intolerância” aos estímulos vaginais. A participação do marido é muito significativa em todo o processo. Quando ele participa, geralmente os resultados são bem mais rápidos.
   Com o avanço da tecnologia e da medicina, o uso de métodos, outrora empregados em determinadas áreas médicas, têm sido utilizados para o tratamento de algumas disfunções sexuais, inclusive para o tratamento do vaginismo. Alguns desses métodos são:
   A Eletroestimulação, que é um recurso terapêutico onde os músculos são contraídos e relaxados através de um aparelho. As aplicações da eletroestimulação muscular por corrente alternada proporciona vários trabalhos na musculatura, que vão ser diferenciados pela utilização dos parâmetros que o equipamento oferece.
   A Carboxiterapia, que consiste na aplicação de dióxido de carbono (CO2) com a finalidade de melhorar a circulação e oxigenação dos tecidos.
   A toxina botulínica, que  é uma substância produzida pela bactéria chamada Clostridium botulinum e quando injetada em algum grupamento muscular, provoca sua paralisação através do bloqueio da placa motora. A toxina é aplicada no terço distal e musculatura externa da vagina, provocando a paralisação temporária deste grupamento muscular .
   Ainda assim, psicoterapia e dessensibilização são o  tratamento mais utilizado e recomendado para a maioria dos casos de tratamento do vaginismo.
   Por tudo isso, é fundamental que a paciente tenha um diagnóstico preciso, realizado por um profissional capacitado, levando-se sempre em consideração de que cada mulher é única e que o tratamento apontado será o melhor para ela.


O casamento

   Viver uma vida a dois onde não se pode desfrutar de uma sexualidade plena,  torna-se frustrante. A esposa acaba desenvolvendo pensamentos prejudiciais, como: “Eu não sou mulher o suficiente.”; “Eu sou menos mulher que fulana.”; “Eu não faço meu marido feliz.”; “Queremos ter filhos e não podemos.”... E, como consequência, seu comportamento vai modificando-se: ela passa a sentir-se retraída socialmente, fica com a auto-estima baixa, e algumas vezes, desenvolve até um quadro depressivo.
   Veja só: uma esposa com esse perfil, acaba não sentindo-se capaz de manter um relacionamento satisfatório com seu marido, já que ela mesma não está bem! O marido entristece-se a cada tentativa sexual mal- sucedida. Esse tipo de situação acaba trazendo para a relação conjugal situações de estresse, ansiedade, conflitos, etc. Não raramente, casamentos até terminam por esse motivo.
   Deus deseja sempre o melhor para os seus filhos. Ele deseja que homem e mulher vivam em plena harmonia conjugal e sexual. A instrumentalidade de um profissional pode ser ferramenta Divina para a cura do vaginismo e, por consequência, a cura para um  casamento em crise!
  


08/08/2016

Usuários do Tinder são menos satisfeitos com a aparência, diz estudo

Pesquisa ouviu homens e mulheres que usam aplicativo de relacionamento.
Estudo foi feito por pesquisadores da Universidade do Norte do Texas.

Do G1, em São Paulo
O aplicativo de paquera e para conhecer novas pessoas Tinder. (Foto: Divulgação/Tinder)Tinder: aplicativo de paquera e para conhecer novas pessoas. (Foto: Divulgação/Tinder)
Os usuários do Tinder -- homens e mulheres -- têm uma percepção mais negativa da imagem do próprio corpo do que as pessoas que não acessam o aplicativo, segundo pesquisa apresentada na convenção anual da Associação Psicológica Americana. O estudo também diz que os homens que utilizam o aplicativo têm níveis mais baixos de autoestima que os que não o usam.

O Tinder é um aplicativo de namoro disponível para o celulares e tablets, com 50 milhões de usuários ativos. A pessoa que o instala pode arrastar o dedo para a direita se achar a pessoa interessante/bonita e para a esquerda se não achar. Se ambos se acharam “aceitáveis”, eles terão dado "match", uma espécie de combinação para abrir um bate-papo entre o possível casal.
"Usuários do Tinder relataram ter níveis mais baixos de satisfação com seus rostos e corpos e ter níveis mais baixos de autoestima do que os homens e as mulheres que não usam o aplicativo", disse Jessica Strubel, da Universidade do Norte do Texas, que apresentou a pesquisa com co-autoria de Trent Petrie, da mesma universidade.
 
Neste estudo, participaram 1.044 mulheres e 273 homens, em sua maioria estudantes de graduação. Eles foram convidados a preencher questionários sobre seu uso do Tinder, sua impressão com a própria imagem, fatores socioculturais, objetivação em relacionamentos e bem estar psicológico.
Cerca de 10% relataram usar do Tinder.  Os usuários de ambos os sexos relataram menos satisfação com seus corpos em comparação com os não usuários, segundo a pesquisadora Strubel. Mas apenas usuários do sexo masculino relataram níveis mais baixos de autoestima.
 
"Descobrimos que estar ativamente envolvido com o Tinder, independentemente do sexo do usuário, foi associado à insatisfação, vergonha e monitoramento do corpo, internalização de expectativas sociais de beleza, comparação física para com os outros, e dependência de se informar sobre a aparência e atratividade", disse Strubel.
Mesmo que o estudo tenha sido destinado a estudar as mulheres -- por isso o maior número de entrevistadas -- e sua percepção de objetificação e autoestima, os pesquisadores apontaram que os homens também são afetados.
 
"Embora as intervenções atuais de imagem corporal sejam dirigidas para as mulheres, os nossos resultados sugerem que os homens são igualmente e negativamente afetados pela sua participação nos meios de comunicação", completou Strubel.
 
Os autores do estudo pontuaram, no entanto, que mesmo que os usuários tenham baixos níveis de autoestima não significa que é o aplicativo que está causando isso. O estudo indica, apenas, que pessoas do tipo têm mais interesse por esses aplicativos.
Tinder contesta resultados
Em nota, o Tinder afirmou que "as descobertas do artigo não podem ser consideradas significantes ou representativas". A empresa questiona o fato de a amostra de usuários de Tinder avaliados pelo estudo ser pequena: 70 mulheres e 32 homens.
"Dado o pequeno tamanho da amostra e a natureza não representativa da mesma, nenhuma descoberta pode ser estabelecida a partir de uma perspectiva empírica", afirmou o Tinder, em nota.

19/05/2016

Anel vaginal contra a Aids é a nova esperança para milhões de mulheres


Anel libera um fármaco anti-retroviral para impedir contágio do vírus HIV.
Método ainda está em processo de testes para a comercialização.

Da EFE
Em uma nova tentativa de vencer a batalha contra a Aids, um anel vaginal que ajuda a prevenir a transmissão do vírus pode se tranformar na esperança de milhões de mulheres que vivem sob alto risco de contágio, especialmente nos países mais pobres.
O anel, que libera pouco a pouco um fármaco anti-retroviral, foi apresentado nesta terça-feira pela Associação Internacional para os Microbicidas (IPM, em inglês), um entidade sem fins lucrativos que participa da conferência internacional Womem Deliver.
"Embora muitos falem que o fim da epidemia está perto, a batalha ainda não terminou. As mulheres seguem se infectando a níveis muito altos na África Subsaariana", explicou à Agência Efe a diretora-executiva da IPM, Zeda Rosenberg, que precisou que seis de cada dez afetados desta região são mulheres.
Este anel de silicone, que é colocado na vagina e deve ser substituído a cada quatro semanas, pretende ajudar a atalhar a epidemia na região, onde as mulheres de entre 15 e 24 anos têm o dobro de possibilidades de contrair HIV do que os homens.
Com este novo método, similar ao anel vaginal anticoncepcional, as mulheres podem controlar sua saúde mesmo sem o consentimento do parceiro  e inclusive evitar o contágio em caso de estupro.
Após realizar vários experimentos na África Subsaariana para demonstrar sua efetividade, o anel está agora sob um novo estudo -cujos resultados serão revelados a partir de julho- como passo prévio a conseguir a aprovação regulatória que permita sua comercialização.
"O seguinte passo é que as mulheres que necessitam tenham o anel vaginal em suas mãos. Se tudo ocorrer perfeitamente, podemos tê-lo no mercado no final de 2018. Nosso objetivo é que o preço esteja abaixo dos US$ 5 por unidade", explicou Rosenberg.
Ativistas e especialistas que participam nestes dias do encontro Women Deliver para traçar novas estratégias que permitam melhorar a saúde de meninas e mulheres receberam com entusiasmo este avanço científico que pode marcar um antes e um depois na luta contra a Aids, especialmente, no continente africano.
"O mais importante é que o anel pode ser usado sem o consentimento do homem e que as mulheres terão a opção de escolher por elas mesmas", disse à Agência Efe a ativista de direitos humanos sul-africana Yvette Raphael.
Um dos principais desafios, explica, é trabalhar lado a lado com as comunidades locais, explicar as vantagens do novo fármaco e conseguir sua aceitação porque, sem ela, poucas jovens se atreverão a usá-lo.
Por isso, a IPM trabalha com ativistas, que vão a campo para apresentar o anel vaginal como uma opção a mais para se proteger contra o HIV, lembrando que não deve ser um substituto, mas um reforço a outros métodos como os preservativos.
Desde 2012, a IPM realizou diferentes estudos nos quais participaram mais de 2.600 mulheres de entre 18 e 45 anos com alto risco de contágio na África do Sul, Uganda, Zimbábue e Malawi e que provaram que este método permitiu reduzir os contágios até 56% em mulheres maiores de 21 anos.
Além dos desafios científicos, o grande desafio para desenvolver este anel vaginal foi o financiamento, já que cada vez é mais difícil conseguir aliados -especialmente quando se tenta métodos de prevenção- perante o grande número de pesquisas que ocorrem atualmente.
No entanto, o projeto conta com o apoio de algumas grandes companhias e de governos como o da Dinamarca.
"Infelizmente a pesquisa tem cada vez menos interesse para os doadores. Por isso decidimos investir no anel vaginal, porque queremos fazer tudo o que for possível para tentar conter a epidemia da Aids", afirmou a principal assessora de saúde no Ministério dinamarquês de Relações Exteriores, Sanne Helt.

09/03/2016






Olá! Esse é um texto meu escrito à pedido da jornalista Raquel Bocato para um portal da net ligado ao Instituto de Longevidade.



Sexualidade após os 50 anos
   Após os 50 anos de idade mudanças acontecem na saúde e na vida sexual tanto do homem quanto da mulher. Por isso, quando o indivíduo não tem informações e uma orientação profissional adequadas, o impacto físico/emocional é grande.
   As principais queixas relacionam-se às mudanças quanto à resposta sexual, desejo sexual e fisiologia sexual. No homem, a resposta eretiva é mais lenta. Na mulher, a lubrificação vaginal é menor e mais lenta; enquanto que na jovem a lubrificação ocorre de 15 a 30 segundos após estímulo sexual efetivo, na mulher com mais de 50 anos, isso ocorre após cerca de 1 a 5 minutos. Essa demora na lubrificação vaginal se dá pelas modificações vasculares determinadas pela esclerose dos vasos da vagina e pela diminuição dos níveis de estrogênio, uma vez que a mesma se encontra na menopausa.
   Outras alterações também ocorrem e, posso citar algumas: atrofia da região labial, atrofia do capuz que recobre o clitóris (embora a função do clitóris continue intacta), contrações orgásmicas diminuídas.
   Infelizmente, ainda existem muitos tabus em relação à sexualidade do idoso e ao relacionamento sexual nessa etapa da vida. Por conta das mudanças fisiológicas e físicas, os indivíduos com mais de 50 anos sofrem com frequência preconceito quando o assunto é a sua própria sexualidade. Vivemos numa cultura que, lastimavelmente cultua a beleza física em padrões surreais para a maioria da população mundial. A ditadura da beleza e o culto ao corpo são responsáveis em grande parte por esses estigmas; uma vez que o corpo do adulto maduro e do idoso, expressa as marcas do tempo.
   É de grande importância salientar que nascemos com nossa sexualidade e morreremos com nossa sexualidade. Enquanto estivermos vivos, seremos seres sexuais!
   Embora a redução do desejo sexual seja diminuída pela ação ou falta de ação dos hormônios sexuais femininos e masculinos, o maior órgão sexual é a mente humana! Com isso, afirmo que uma vida sexual após os 50 anos de idade é perfeitamente viável e pode ser plenamente satisfatória!
   Tanto homens como mulheres, sentindo a necessidade, devem procurar orientação médica (urologista e ginecologista, respectivamente). Hoje, a procura por ajuda especializada é bem maior por parte das mulheres. Porém, com o advento do câncer de próstata e os alertas realizados pela mídia, o número de homens que procuram um especialista tem aumentado. Nosso desejo é que esses homens procurem orientação profissional também para as questões da sua própria sexualidade.
   Para concluir, para qualquer fase da vida humana, para se ter uma vida sexual saudável é imprescindível: conhecer o próprio corpo (como é, como funciona e que sensações produz); conhecer o corpo do outro; diálogo entre o casal e, por fim; respeito mútuo.
   Carolina Mendonça (Psicóloga e Sexóloga- CRP 05/28578)

02/09/2014

QUEM DISSE QUE AMAR NÃO EXIGE SACRIFÍCIOS?











   Andei escutando por aí que no amor não existe essa história de sacrifícios, de sacrificar-se em favor de alguém. 

   Quando pensamos na maternidade, acho que as pessoas entendem melhor sobre o tema, porque a maioria das mães abrem mão de muitas coisas para criar seus filhos. Mas, quando sacrifícios são relacionados à casamento, a história muda de figura. 
   Se não fizermos sacrifícios, o casamento acaba. Não estou delirando, não! No casamento é preciso ceder, doar e sacrificar-se. Muitas vezes é necessário deixar de lado as minhas vontades próprias em favor da felicidade do cônjuge. Nos tempos de hoje, onde o feminismo reina, onde o individualismo reina, onde o ter é mais valorizado que o ser, isso tudo parece até absurdo.
   É claro que os sacrifícios obedecem também à algumas regrinhas, como por exemplo: a preservação da vida e o equilíbrio emocional. Em nome de alguém não posso violar os ensinamentos Divinos.
   Olha o que Palavra de Deus diz aos maridos: "Maridos, amem suas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela."  (Efésios 5:25) Ora, não é esse um amor sacrificial? Cristo entregou-se por mim e por você! 
   Fico muito triste quando homem e mulher abandonam seus cônjuges por coisas das quais não deveriam. Uma pergunta que faço para os jovens que estão para se casar é:  "Você continuaria casado se seu marido ou mulher sofresse um acidente de carro, por exemplo, e ficasse paraplégico? Já pensou nisso?"
    Se fosse seu filho você não hesitaria em responder: "Jamais o abandonaria!"  Já se fosse o cônjuge!!!! Pensamentos do tipo: "Ah, não! Vou ter que ser babá de um marmanjo! "Vou ficar sem sexo?" (Embora, só fica sem sexo quem quer, porque sexo não é só penetração pênis-vagina!) "Minha vida vai mudar radicalmente. Não estou disposto!"
   Casamentos duradouros e felizes, só existem porque ambos entendem a necessidade de sacrifícar-se em favor de algo que é bem maior.
  Que reflitamos sobre o assunto e que façamos aquilo que é necessário para o sucesso do casamento!

   Com carinho, Carolina Mendonça.

   (Psicóloga especialista em Relacionamento Amoroso e Sexualidade Humana)

31/03/2014

Estudo liga status e dinheiro a satisfação sexual em mulheres


Pesquisa espanhola sugere que mulheres pobres tendem a relatar relações sexuais menos satisfatórias.

Da BBC
Segundo estudo, renda e poder conferem maior independência às mulheres, impactando positivamente no sexo (Foto: BBC)Segundo estudo, renda e poder conferem maior
independência às mulheres, impactando
positivamente no sexo (Foto: BBC)
Um estudo conduzido por pesquisadores espanhóis constatou que a renda e o status influenciam na satisfação sexual das mulheres.
Segundo a pesquisa, quando mais dinheiro e poder elas tiverem, mais satisfatórias tendem a ser suas relações sexuais.
O levantamento foi realizado pela Agência de Saúde Pública de Barcelona, na Espanha, a partir da análise das respostas de 10 mil pessoas a um questionário de saúde sexual do governo espanhol de 2009.
De acordo com os autores do estudo, a renda e o status conferem às mulheres maior independência, o que estaria intimamente ligado ao prazer sexual.
Eles dizem que o conforto socioeconômico permite uma liberdade maior ao sexo feminino para explorar suas fantasias sexuais e ter maior controle sobre o uso de métodos contraceptivos.
Mulheres com mais dinheiro também tendem a se envolver menos em relações abusivas, assim como têm menos chances de sofrer estupro ou agressão sexual.
Além disso, elas tendem a abandonar relações abusivas mais cedo do que mulheres mais pobres ou mesmo procurar mais rapidamente auxílio profissional ou aconselhamento, acrescentam os pesquisadores.
Segundo Dolores Ruiz, da Agência de Saúde Pública de Barcelona, responsável pelo estudo, mulheres com melhor nível sócio-econômico "tem maior consciência de suas preferências e maior capacidade de desenvolver sua sexualidade de maneira a lhes garantir maior satisfação sexual".
Por outro lado, "pessoas mais pobres alegam ter relações sexuais menos satisfatórias, o que impacta as mulheres mais especificamente, que parecem ser mais influenciadas por esses fatores". "As mulheres de nível socioeconômico mais baixo também relatam sofrer mais experiências de abuso sexual", acrescenta Ruiz.
O estudo também mostrou que as mulheres afirmaram ter relações sexuais mais prazerosas quando mantêm uma relação estável em detrimento do sexo casual. No geral, nove entre dez homens e mulheres relataram estar satisfeitos com a sua vida sexual.
Entre os homens, 97% dos que afirmaram ter uma relação estável relataram estar satisfeitos comparado a 88% daqueles que praticavam sexo casual. Por outro lado, 96% das mulheres com um parceiro fixo disseram estar satisfeitas com sua vida sexual, comparada a 80% daquelas que praticavam sexo casual.
Os autores do estudo esperam que as descobertas possam levar à criação de políticas de saúde pública voltadas para o uso de contraceptivos e a redução de casos de abuso sexual entre as famílias de baixa renda. A pesquisa foi publicada na revista científica "Annals of Epidemiology".

30/01/2014

Mulheres se sentem mais atraídas pelo papo e homens pela aparência.



Médicos explicam o que tem mais poder de sedução em ambos os sexos.

Do G1

Além de buscarem características diferentes no sexo oposto, homens e mulheres também se sentem atraídos por diferentes fatores – os homens são mais visuais e se atraem mais por imagens e aparências, enquanto as mulheres gostam mais de sons e, por isso, se atraem por um bom papo, como explicaram o endocrinologista Alfredo Halpern e o neurocirurgião Fernando Gomes Pinto.
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Se apaixonados, tanto homens como mulheres têm uma substância liberada no cérebro chamada dopamina, um hormônio que ativa o “centro de prazer” e traz a mesma sensação de comer um chocolate, por exemplo.
Segundo o neurologista Tarso Adoni, a paixão pode dar sintomas com mais ou menos intensidade, de acordo com cada pessoa – pode dar calafrios, dor de barriga e as famosas “borboletas no estômago”, como mostrou a reportagem do Phelipe Siani (veja no vídeo ao lado).
No entanto, assim como o chocolate, a paixão pode ter também prazo de validade. O neurologista explica que, nesse período, a pessoa fica tão focada no parceiro e, quando isso passa, ela começa a perceber os defeitos e problemas que podem levar à relação ao fracasso.
Bem Estar - Infográfico sobre paixão (Foto: Arte/G1)
Por isso, é importante sempre reinventar a relação, como fizeram a Elaine e o Victor, casados há 25 anos, como mostrou a reportagem da Marina Araújo (veja no vídeo ao lado).
Uma das dicas para manter a relação saudável é saber ouvir e perguntar ao parceiro “como foi seu dia?”. Estudos mostram que cerca de 30% a 40% da fala de qualquer pessoa é sobre suas sensações subjetivas e, se alguém ouve, isso traz prazer. Por isso, escutar o outro com calma é um momento prazeroso – jantar juntos, sentar perto e passar um tempo conversando são alguns hábitos que ajudam a manter esse diálogo e comunicação essenciais para um relacionamento duradouro.
Durante esses momentos, é importante também fazer o parceiro sorrir já que conviver com alguém bem humorado é mais prazeroso e prolonga a vontade de estar por perto. Segundo o neurocirurgião Fernando Gomes Pinto, documentar a relação com fotos também é um hábito saudável e que faz o amor durar. E não só isso, até mesmo a atividade física também faz bem para um casal, que vive menos estressado e em harmonia.
Em relação às mulheres, é fundamental ainda ter ao lado um homem gentil, que possa protegê-la e defendê-la – essa gentileza masculina aumenta muito as chances de um homem com uma mulher, até mesmo em atitudes simples, pagando uma conta ou pegando um guardanapo que cai da mesa, como explicou o endocrinologista Alfredo Halpern.

08/01/2014

Profissão de homem e de mulher: como surgiu essa divisão?


Do UOL
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  • Fatores históricos e culturais influenciaram a percepção de profissões que são vistas até hoje como masculinas e outras como femininas
    Fatores históricos e culturais influenciaram a percepção de profissões que são vistas até hoje como masculinas e outras como femininas

Todos os dias Anderson Luiz Ferreira Pinto, 28 anos, veste o avental com detalhes cor-de-rosa para trabalhar. Detalhista e delicado, seu desafio diário é moldar sobrancelhas que valorizem o rosto de seus clientes, a maior parte mulheres, que atende em Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ). A pergunta que mais escuta é: "você é gay?". Sem se incomodar com o questionamento, ele responde que não. Luiz é casado há cinco anos com uma mulher.

Apesar de, em poucas décadas, a igualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho ter aumentado, ainda prevalece uma divisão silenciosa de profissões por gênero. Quando alguém foge à regra, como Anderson, o estranhamento é inevitável.
Fatores históricos e culturais influenciaram a percepção de profissões que são vistas até hoje como masculinas e outras como femininas.

"Em uma sociedade patriarcal, com o poder masculino muito forte, desde a colonização, o trabalho feminino sempre foi secundarizado. Entendia-se a organização de algumas tarefas como sendo uma extensão do lar, como as do cuidado, a cargo da mulher", explica Mario Sergio Cortella, filósofo, escritor, pesquisador e professor do programa de pós-graduação em Educação da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).
As atividades mais ligadas ao ambiente doméstico e aos cuidados com os outros foram, ao longo do tempo, ficando com as mulheres, como a docência, enfermagem, nutrição, o secretariado, entre outras. Cortella afirma que os trabalhos que exigem maior capacidade intelectual sempre estiveram associados à natureza masculina, sendo esse mais um resquício da cultura machista.
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Por mais que a sociedade tenha se transformado e evoluído, alguns conceitos demoram a desaparecer. Ideias machistas ainda estão por toda a parte e muitas pessoas as reproduzem, sem nem se dar conta disso. "O comportamento feminino e o masculino são construções históricas, culturais e sociais. E leva muito tempo para modificarmos essas concepções de forma definitiva", diz a historiadora e socióloga Rosana Schwartz, da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Alguns pensamentos podem parecer inofensivos, mas, se analisarmos com cautela, veremos que não correspondem mais à realidade e, por isso mesmo, devem ser superados. A seguir, dez exemplos de conceitos que merecem ser revistos. Por Marina Oliveira e Rita Trevisan, do UOL, em São Paulo Didi Cunha/UOL
Para a pesquisadora Mayra Rachel da Silva, mestre em Políticas Públicas e Sociedade, professora do curso de Serviço Social da Faculdade Ratio e da Faculdade Cearense, em Fortaleza (CE), a divisão por gêneros não tem relação com características naturais femininas ou masculinas. Essa separação é fruto de uma construção social, predominantemente desfavorável às mulheres.
"As profissões social e culturalmente tidas como femininas apresentam caráter subalterno, de menor prestígio e remuneração em relação às atividades exercidas pelos homens", diz Mayra.

Clube do bolinha

Ainda no século 21, os territórios masculinos e femininos permanecem bastante demarcados em algumas áreas. É o caso da engenharia. Do universo de 1.083.182 engenheiros registrados no Brasil, apenas 13% são mulheres, segundo o Confea (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia). Porém, esse cenário tem se transformado significativamente na última década. Em 2003, foram realizados apenas 2.960 registros do sexo feminino no Conselho. Em 2013, até o mês de novembro, 9.433 mulheres ganharam o título de engenheiras, um aumento de 318,7%.
Acostumada a ser uma das poucas mulheres nesse "clube do bolinha", Darlene Leitão e Silva, conselheira do Confea, acompanha com entusiasmo a mudança de cenário. Em 1993, foi a única mulher de sua turma a se formar em Engenharia Elétrica.
Dez anos depois, ela assumiu a função de diretora técnica responsável pela concessionária de energia de Boa Vista (RR) e, atualmente, trabalha na Secretaria de Infraestrutura do Estado de Roraima. "Não é fácil chegar a esses postos, mas, quando a mulher tem essa oportunidade, consegue demonstrar que tem tanta capacidade quanto o homem", afirma.
  • Arquivo pessoal
    Anderson Luiz Ferreira Pinto, que trabalha como designer de sobrancelhas no Rio
No caso de Darlene, foi o cunhado, também engenheiro eletricista, uma figura paterna importante em sua vida depois de ter perdido o pai aos 14 anos, que a influenciou na escolha da carreira. Mas esse é um caso raro. As mulheres, normalmente, não recebem incentivo para profissões historicamente masculinas. 
A segmentação das profissões já começa na infância, com brinquedos que costumam reforçar os estereótiposculturais de cada gênero. Recentemente, uma engenheira da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, resolveu tentar mudar esse padrão, lançando em parceria com uma empresa de brinquedos um jogo de engenharia para meninas, com um vídeo que acabou se tornando viral.
Outra área em que a presença feminina vem aumentando consideravelmente é a construção civil. Segundo dados do Ministério do Trabalho, de 2000 a 2010, o número de trabalhadoras nesse setor cresceu 65%. As mulheres desempenham, principalmente, serviços de acabamento.
Na opinião de Mayra Rachel da Silva, que desenvolveu um estudo acerca das relações de gênero e trabalho no âmbito da construção civil em Fortaleza, os canteiros de obra também são lugares para atuação profissional das mulheres. Entretanto, ainda falta muito para que o ambiente se torne ideal.
"Muitas mudanças precisam acontecer para que essas trabalhadoras possam exercer sua profissão de forma digna", acredita a pesquisadora, que em seu levantamento detectou problemas como assédio sexual e pouca participação política nos sindicatos.

Menos divisões

Ainda é muito comum que a competência de um profissional seja associada ao seu sexo. O designer de sobrancelhas conta que as clientes que não o conhecem costumam questionar a recepcionista sobre a qualidade do seu trabalho, pelo fato de ele ser homem.
"Algumas entram com receio e perguntam se faço bem as sobrancelhas. Mas depois gostam do meu trabalho e acabam virando clientes", diz Anderson Ferreira. Ele já aprendeu a lidar com o preconceito e com as piadas dos amigos.

"Nunca me incomodei, a gente tem que começar a quebrar os paradigmas. Mesmo que sejam as mulheres que tenham se destacado como designers de sobrancelhas, nada impede que um homem seja tão bom ou melhor do que elas", diz ele, que pretende se aperfeiçoar ainda mais na área e cursar faculdade de estética.
Apesar de ainda existirem, os preconceitos vão diminuindo à medida que as oportunidades de emprego começam a surgir. As mulheres já são maioria nas universidades e a tendência é que as questões de gênero no trabalho percam cada vez mais a importância. Mais do que isso: a quem acredite que a situação se inverta, e o homem seja o novo sexo frágil.
Thinkstock

Vocês dividem as tarefas de casa (de verdade)?

"Percebemos que novas configurações se apresentam ao mundo do trabalho, favorecendo para que profissões culturalmente constituídas no imaginário social como específicas da condição masculina sejam ocupadas crescentemente por mulheres e vice-versa", afirma Mayra Rachel.
Para Mario Sergio Cortella, felizmente, a divisão entre profissão de homem e de mulher vem perdendo a nitidez e sendo demolida aos poucos. Na opinião do filósofo, um dos aspectos que contribui para isso recai sobre a nova organização familiar dentro de casa.

"Hoje, a família traz mais partilha de tarefas, inclusive por causa da regulação do trabalho doméstico. Acho que vamos caminhar para uma organização da vida mais inteligente, em que haja essa divisão entre o masculino e feminino a partir da família e, portanto, nenhuma estranheza quanto a isso no mundo do trabalho".