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30/01/2018

Anorexia Nervosa







    Se a paciente ou seus familiares ouviram do médico que se trata de uma doença grave, ele certamente não exagerou. A Anorexia tem índice de mortalidade entre 10 e 30%, portanto maior que muitas doenças que as pessoas sabem que são graves
As causas de morte são metabólicas, cardiovasculares, imunológicas, infecciosas e gastroenterológicas.
De uma maneira geral:
A Anorexia Nervosa é muito mais freqüente em adolescentes do sexo feminino do que masculino. Pode aparecer na idade adulta e quanto mais tarde aparece, melhor é a evolução.
Anoréxicas não acham que estão doentes nem aceitam se tratar.
Nas páginas de depoimentos, as bulímicas procuram tratamento, incentivam outras a se tratar, etc. Quase não existem depoimentos de anoréxicas. Geralmente elas preferem trocar idéias sobre laxantes, diuréticos técnicas de provocar vômitos e sobre como enganar a família e o médico.
OBS.: Se alguém perdeu peso por causa de alguma doença consumptiva, ou endocrinológica ou de um Depressão grave, evidentemente não se pode falar de Anorexia Nervosa.
Para os pais:                             
Na primeira consulta os pais querem ouvir tudo sem "dourar a pílula". Em poucos dias acham que o médico foi muito "duro", "radical", ameaçador", etc.
Meses depois verão que essa "dureza" tinha sentido. Por mais que os pais e os médicos achem que estão controlando a situação, as Anoréxicas são sempre mais espertas. Pelo menos no começo.
Não acreditem em quem promete um jardim de rosas para o tratamento. Em Anorexia Nervosa não existem jardins de rosas.
O desgaste para a família, terapeutas, médicos e acompanhantes é grande. Raramente a paciente se trata por muito tempo com a mesma equipe que diagnosticou e iniciou o tratamento.
Sintomas e sinais:
  • Emagrecimento. Anoréxicas com 42 Kg são consideradas de peso bom. Freqüentemente o peso chega a 36 Kg ou menos.
  • Vômitos. Provocados com os dedos, com cabos de colher, com arames, com contrações abdominais, etc. Elas vomitam no banheiro, no chuveiro, em vasos de plantas, sacos plásticos, papel higiênico, onde for possível. Se não vomitarem se sentem sujas por dentro e completamente "estufadas" por terem comido um grão de ervilha.
  • Quando se consegue que elas façam refeições com a família, sempre há um motivo para saírem da mesa logo que acabam de comer. Geralmente vão ao banheiro vomitar em segredo. " Amenorréia (interrupção da menstruação). A menstruação pode cessar antes de perda de peso grave (a desnutrição não é a única causa da amenorréia) e pode voltar antes de um ganho de peso importante.
  • Destruição do esmalte dentário (por causa dos vômitos).
  • Pele seca e amarelada, cabelos finos, secos e quebradiços (pela desnutrição).
  • Excesso de exercícios físicos.
  • Visão distorcida do próprio corpo. As anoréxicas nunca acham que estão magras o suficiente. Elas se olham no espelho e vêem os seios e o abdomen grandes demais.
  • Uso (geralmente escondido) de diuréticos, laxantes, hormônios de tireóide e pílulas para emagrecer.
  • Comorbidade (doenças concomitantes) com Depressão, DOC principalmente alternância de fases com Bulimia.
  • Isolamento social. São retraídas, pouco expansivas, quase sem amigos, não tem namorado,
  • Adoram cozinhar e servir comida para os outros.
  • Geralmente são meninas inteligentes, perfeccionistas e bonitas.
  • Acham que o tratamento é totalmente desnecessário. Vão ao médico apenas para que a família as deixem em paz.
  • Alternância com fases de Bulimia, quando comem tudo que está pela frente, a ponto dos pais terem que trancar a despensa da casa.
Causas:
A causa determinante é desconhecida. Quem já viu uma Anoréxica de 40 KG sair de um coma e continuar sem nenhuma crítica da situação sabe que o problema não pode ser apenas emocional.
Provavelmente existem componentes psicológicos e biológicos:
  • Psicológicos: Anoréxicas se imaginam tolhidas, sem liberdade, sem autonomia, controladas demais pela família, mesmo que objetivamente não o sejam. Explicações psicanalíticas sobre dificuldade de assumir o papel feminino, de se identificar com a figura materna etc., podem ser um assunto interessante para se discutir mas não costumam trazer benefícios para as pacientes.
  • Biológicos: familiares de anoréxicas podem sofrer de Distúrbio Obsessivo Compulsivo, Depressão, Bulimia, Pânico, Tricotilomania. O tratamento é eficaz com medicamentos que também agem nessas patologias.
Tratamento:
O principal objetivo do tratamento á ganhar peso. É aí que a coisa toda complica. Começa o famoso "enquanto não descobrir a causa ...", "quando descobrir a causa ...", "não adianta obrigar a comer enquanto não descobrir o porque..." etc.
O fato é que as pesquisa mostram que o mais importante de tudo é normalizar o peso. Mesmo que seja contra a vontade da paciente. Pode ser através de muita paciência dos pais à mesa, pode ser através de recompensas e castigos, pode ser através de hospitalização. O importante é que ganhe peso.
Mas os pais, os leigos e muitos profissionais ainda acham que "tem que descobrir a causa", portanto o tratamento mais eficaz, que é o ganho de peso através de tratamento hospitalar quase nunca é feito.
Na prática, a internação hospitalar acaba sendo o último recurso, quando o estado de emagrecimento chegou num ponto em que a paciente começa a correr risco de vida.
  • Ou seja, a hospitalização, que deveria ser o primeiro recurso, acaba sendo o último.
Bem, como na prática elas não são internadas, tenta-se tratar com:
  • Antidepressivos.
Porque eles diminuem o caráter compulsivo dos vômitos, da distorção da auto-imagem, porque eles agem no Sistema de Neurotransmissores que estão alterados nessa doença. O tempo de espera para começar o efeito é de várias semanas; além disso a paciente não aceita estar doente e não quer tomar remédios (a não ser aqueles que a façam perder mais peso). Portanto aí já começa a primeira batalha entre os pais e a paciente. Existem muitos Antidepressivos diferentes e pode ser que as primeiras tentativas não tragam resultado. Nesse caso, é preciso ter paciência para uma tentativa com outro medicamento, que também precisará de algumas semanas para ser avaliado.
  • Psicoterapia.
É muito importante, embora geralmente as pacientes só vão ao Terapeuta para que a família as deixe em paz. Esse é um dos motivos pelos quais a Psicoterapia não se aprofunda, fica arrastada, parece que é um castigo semanal para a paciente. A forma de Psicoterapia mais eficaz é a Cognitivo Comportamental (TCC).
  • Orientação Nutricional.
Para a família:
Prepare-se para uma luta de anos. A família tenta ajudar mas a paciente não quer ser ajudada.
A necessidade de controlar o peso e alimentação, os cuidados para que ela tome o remédio certo e para que não tome os laxantes são uma batalha diária.
Melhoras iniciais, no começo de cada tratamento não significam nada. O tratamento se arrasta por anos a fio.
As recaídas e a cronificação com baixo peso e isolamento social são mais freqüentes do que a cura completa.
As pacientes mudam de médicos com a esperança de "dar um baile" mais fácil A família se cansa e procura outras alternativas.
Por mais desgastante que seja o tratamento, existe um fator que a família nunca pode esquecer: o aumento de peso pode curar uma Anorexia mesmo que esse aumento de peso seja forçado. Nesta época de todos serem politicamente corretos e procurarem causas e explicações para tudo, é difícil convencer as pessoas disso, mas os trabalhos científicos comprovam cada vez mais essa antiga constataçao.
Leia o depoimento de uma anoréxica, que ilustra bem tudo que foi escrito.
"Com 12 anos, 1.60 de altura e 49 kg me achava gorda e tinha vergonha da minha barriga. Achava bonito modelos magras tipo Shirley Mallmann. Comecei a fazer um regime "básico" e me exercitar. Com 13 anos pesava 36 kg e ainda me achava gorda. Fazia de 1 a 2 horas de exercício 6x por semana. Então comecei a vomitar e de vez em quando "atacar a geladeira. Sem perceber tinha me afastado de todos meus amigos, chorava muito e tinha vontade de morrer. Me sentia tonta e minha mãe resolveu me levar no médico. Ele receitou que 3x por semana fosse ao hospital tomar soro. Minha mãe acatou mas eu reagi e disse que estava me sentindo bem e que amanhã comeria direito. Então me levavam, a força, para fazer soro 1x por semana. Com isso comia menos ainda porque pensava que o soro engordava. Com 32 kg, minha mãe estava desesperada descobriu que estava vomitando. Foi quando descobrimos a Dra. X. Aceitei ir pq pensei que iria ser como os outros médicos; eu dizia que não iria comer e não comia. Com 30 kg e muito desnutrida ela queria me internar pq estava com anorexia nervosa. Na primeira semana não cumpri nada. Quando voltei eu e meus pais levamos uma bronca. Aí meus pais começaram a ficar em cima mesmo. Mas ainda assim burlava-os e escondia comida nos bolsos e vomitava depois. Proibida de exercícios acordava de madrugada para me exercitar. Logo mamãe descobriu. A Dra. X me deu uma semana para aumentar de 500g a 1 kg se não iria me internar. Eu achava que meus pais nunca iriam permitir. Na outra semana, quando fui me consultar havia perdido 200g, então falou com meus pais e se eu não fosse internada ela se negaria a me tratar, acabei sendo internada. No dia 23 de dezembro de 1997 com 30 kg e 13 anos fui internada no hospital Y, foi quando começou o período mais difícil do tratamento, comecei a dizer que iria fazer greve de fome, a Dra. me deu 4 dias para aumentar 400g e trouxe a sonda ao meu quarto mostrando o que iria acontecer se eu não começasse a comer, vi que eu não tinha outra opção e comecei o comer. Mesmo internada eu continuava colocando comida dentro dos bolsos e vomitando em vasos de flor, meu banheiro ficava chaveado 24 horas por dia e quando precisava ocupá-lo uma enfermeira me acompanhava. Restrita de visitas de familiares e amigos eu chorava muito, foram 3 meses e meio de sofrimento. Voltei para casa na Páscoa para fazer um teste de como eu me comportaria. Como me comportei e comia direitinho não voltei mais pro hospital. a Dra. liberou os exercícios, comecei nadando duas vezes por semana. Quando voltei pra casa não saía de casa porque me achava gorda e não queria que ninguém me vice assim. com 1m e 56 kg me achava gorda e tive uma pequena recaída. Fui forçada a recuperar ou voltaria para o hospital, novamente não tive saída e voltei aos 50 kg com muito esforço. Chegou o verão e eu só ia pra piscina de maiô pois tinha vergonha da minha barriga. aos poucos, com os exercícios minha barriga foi se definindo e minha auto estima subindo. Hoje faço academia 2 vezes por semana e de dois em dois meses vou fazer revisão na Dra. X, ainda faço terapia com minha Psiquiatra 2 vezes por mês. Estou com 1,65m de altura e 51 kg. Aindo tenho um pouco de medo de comer mas, também tenho medo de recaídas. Hoje tenho consciência de que se não tivessem me internado o tratamento, em casa, jamais daria certo."



09/06/2016

Como identificar e tratar a Gravidez Psicológica


A gravidez psicológica, também chamada de pseudociese, é um problema emocional que acontece quando os sintomas de gravidez estão presentes, mas não existe feto se desenvolvendo no útero da mulher, o que pode ser confirmado nos testes de gravidez e na ultrassonografia.
Este problema afeta principalmente mulheres que desejam muito engravidar ou naquelas que têm um grande receio de engravidar, como acontece durante a adolescência, por exemplo. Além disso, a gravidez psicológica também é frequente nos animais domésticos, sendo muito comum nas cadelas castradas ou que perderam seus filhotes.

Sintomas de gravidez psicológica

Os sintomas da gravidez psicológica são os mesmos de uma gravidez normal, apesar de não haver bebê sendo formado, tais como:
  • Enjoos;
  • Sonolência;
  • Desejos alimentares;
  • Ausência da menstruação;
  • Crescimento da barriga e das mamas;
  • Sensação de sentir o feto se mexer;
  • Produção de leite materno.
Esses sintomas são devidos a estímulos psicológicos que geram um aumento na produção dos hormônios da gravidez, como a prolactina, o que resulta em sintomas iguais aos de uma gravidez verdadeira. Veja os 10 primeiros sintomas de gravidez que também aparecem na gravidez psicológica.
Sintomas de gravidez, mas ausência de feto.Sintomas de gravidez, mas ausência de feto.

Exames que confirmam a gravidez psicológica

O diagnóstico da gravidez psicológica é feito através de exames como o teste de farmácia de gravidez e o exame de sangue Beta HCG, que irão dar resultado negativo, ou pelo exame de ultrassom, o qual irá mostrar que não existe feto no útero na mulher.
No entanto, algumas vezes os resultados dos exames não são suficientes para convencer a mulher de que não existe gravidez real, sendo necessário nesses casos acompanhamento psicológico para tratar o problema.

Principais causas da gravidez psicológica

As causas mais frequentes de gravidez psicológica são:
  • Desejo intenso de engravidar e dificuldade para engravidar;
  • Grande temor de engravidar;
  • Depressão e baixa auto-estima;
  • Período pós-histerectomia;
  • Desejo intenso de ter um companheiro ou de segurar o namorado;
  • Problemas conjugais, que fazem a mulher acreditar que a gravidez pode salvar o casamento.
Apesar de ser mais frequente nas mulheres, a gravidez psicológica também pode ocorrer em homens, geralmente como resultado de uma intensa ligação com a gravidez da parceira.
Se você está tentando engravidar, mas não está conseguindo, veja:

Como lidar com a gravidez psicológica

O tratamento para gravidez psicológica pode ser feito com o uso de medicamentos hormonais para regularizar a menstruação e para parar a produção de leite materno, mas também é fundamental o acompanhamento de um psicólogo ou psiquiatra para eliminar as causas que levaram ao desenvolvimento desse problema.
Assim, alguns dos remédios que podem ser indicados pelo médico podem ser a pílula anticoncepcional para regular a menstruação e o Dostinex para cessar a produção de leite materno. Além disso, pode também ser recomendada a Amitriptilina para o controle do humor e tratamento da depressão se for o caso. Veja algumas dicas para ajudar a lidar e ultrapassar a gravidez psicológica clicando aqui.
A duração do tratamento depende da compreensão e da colaboração da mulher e dos familiares, mas pode demorar meses para que o problema seja totalmente superado. É importante lembrar que parte essencial do tratamento é o apoio de amigos e familiares, que ajudam a criar um ambiente seguro no qual a mulher sente-se amada mesmo sem ter um bebê. Sessões de psicologia também podem úteis para ajudar a enfrentar esta situação.

08/04/2016

Psiquiatra dá dica de como evitar radicalismo em discussões e debates


Estudos sugerem que ilusão de conhecimento leva a posições extremas.
Refletir sobre o próprio desconhecimento pode levar a abrandamento.

Do G1, em São Paulo
Estudo mostrou que casamento ruim aumenta risco de problemas cardíacos, principalmente entre pessoas mais velhas - Casal idoso brigando (Foto:   Patrick Sheàndell O'Carroll/AltoPress/PhotoAlto)Estudos mostram que refletir sobre o próprio desconhecimento sobre um tema pode levar a posições menos radicais (Foto: Patrick Sheàndell O'Carroll/AltoPress/PhotoAlto)

Estudos sugerem que a falsa noção de se conhecer muito bem determinado tema pode levar as pessoas a ter posições extremas em relação àquele assunto. Quando se deparam com sua própria falta de conhecimento, elas tendem a adotar uma postura mais moderada.
Com base nessas conclusões, o psiquiatra Daniel Barros, consultor do Bem Estar, observa que a melhor forma de discutir com alguém com quem não se concorda é pedir para a pessoa explicar detalhadamente os argumentos que a levam a pensar daquela forma.
É possível que ela se dê conta de que não tem tanta propriedade para defender sua posição. Refletir sobre as limitações do próprio conhecimento sobre determinados processos também é uma boa estratégia para evitar o radicalismo.
No vídeo, Barros dá dicas de como lidar com a situação cada vez mais comum de se ver em uma discussão acalorada sobre política, futebol ou religião.
Estudos
Barros cita duas pesquisas que evidenciam esse fenômeno. Um trabalho americano publicado em 2013 pelo periódico "Psychological Science" pediu para que as pessoas explicassem em detalhe determinados processos políticos sobre os quais tinham posições extremadas. Em geral, o esforço as fez ver que sabiam menos do que presumiam sobre o tema, o que as levou a atitudes mais moderadas.
Já uma pesquisa publicada no mês passado no "Journal of Experimental Psychology: General" concluiu que o exercício de refletir cuidadosamente sobre o quão detalhado é seu nível de conhecimento sobre determinado tema, ainda que por poucos segundos, é suficiente para diminuir a presunção das pessoas diante desses assuntos.

29/12/2015

8 ATITUDES TÍPICAS DE PESSOAS QUE TÊM DEPRESSÃO, MAS NÃO DEMONSTRAM:





Medo ou desconhecimento?
Nesse artigo conheça 8 sintomas de pessoas que levam a vida com o que chamados de “depressão mascarada”, doença que elas tentam esconder ou mesmo que nem sabem que têm.
Embora a sociedade atual demonstre, de modo geral, um maior conhecimento sobre a depressão, o que se vê, muitas vezes, é uma compreensão equivocada desta doença e de seus sintomas.
or tratar-se de uma doença marcada por um estigma, nem sempre conseguimos identificar familiares ou pessoas próximas que estejam lutando contra a depressão. Pior ainda: devido às concepções equivocadas sobre os diferentes modos de manifestação da doença, e o tipo de ajuda a ser buscado, muitos indivíduos que sofrem de depressão não recebem o devido diagnóstico.
O resultado disso é que muitos indivíduos convivem com uma depressão mascarada – ou seja, invisível para as pessoas que os cercam, ou mesmo para eles próprios. Além disso, nos casos em que não recebeu o diagnóstico adequado, o indivíduo tenderá a lidar com seus problemas de modo a esconder a depressão, e terá dificuldades para reconhecer os verdadeiros sintomas da doença.
É preciso deixar de lado a concepção de que o sofrimento é sempre visível. Deste modo, será possível compreender melhor e oferecer ajuda aos que lutam contra as doenças não manifestas. Listamos, a seguir, alguns sinais de uma pessoa que talvez sofra de uma depressão mascarada.

1. Ela talvez “não pareça deprimida”

Influenciados por estereótipos culturais e veiculados pela mídia, muitos têm uma imagem equivocada do comportamento e da aparência do indivíduo com depressão. Na visão do senso comum, esta pessoa raramente sai de seu quarto, veste-se com desleixo, e parece estar sempre triste. Porém, nem todos que sofrem de depressão têm o mesmo comportamento.
Claro que os indivíduos são diferentes, assim como variam os sintomas e a capacidade de cada um de lidar com a doença. Muitos conseguem exibir um “verniz” de boa saúde mental – como mecanismo de autoproteção –, mas o fato de serem capazes de fazê-lo não significa que eles sofram menos. Do mesmo modo, as pessoas incapazes de mostrar tal “verniz” não são mais “fracas” que as demais.

2. Ela pode parecer exausta, ou queixar-se de um cansaço constante

Um efeito colateral da depressão é um cansaço permanente. Embora este sintoma não se manifeste em todos que sofrem de depressão, ele é muito comum. Em geral, é um dos piores efeitos colaterais desta doença.
Além disso, se o indivíduo não recebeu o diagnóstico de depressão, a causa deste cansaço pode ser uma incógnita. Mesmo que ele durma um número suficiente de horas à noite, talvez acorde na manhã seguinte como se tivesse dormido pouco. Pior que isso: talvez ele culpe a si mesmo, atribuindo isso à preguiça ou então que algum defeito de sua personalidade esteja causando esta sensação de fraqueza e falta de energia.
Este sintoma também acaba se tornando uma dificuldade para quem recebeu o diagnóstico de depressão, mas tenta ocultá-la dos amigos e colegas. Isso porque esta sensação de cansaço afeta o seu ritmo de trabalho e também os seus relacionamentos pessoais.

3. Ela poderá ficar mais irritadiça

O comportamento de uma pessoa com depressão pode ser interpretado equivocadamente, como melancolia. É muito comum que a pessoa deprimida fique mais irritadiça, e que isso não seja interpretado como um sintoma da doença. Isso é compreensível, já que a depressão não é problema de saúde “visível”, e tampouco pode ser medido com precisão – o que dificulta o combate à doença.
Além disso, o esforço constante exigido do indivíduo para lidar, ao mesmo tempo, com as inúmeras demandas de sua vida cotidiana, e com a depressão, suga suas energias, deixando-o impaciente e incapaz de ter a compreensão exata sobre as coisas.
Se o seu amigo ou conhecido recebe o diagnóstico de depressão, e compartilha esta informação com você, uma dificuldade poderá surgir, caso o comportamento desta pessoa não corresponda à imagem (equivocada) que se tem de uma pessoa com depressão: um indivíduo tímido e calado. A tendência a ter “pavio curto” e a irritar-se com facilidade é, na verdade, um efeito colateral da depressão.

4. Para ela, pode ser difícil corresponder ao afeto e preocupação das pessoas ao redor

A ideia equivocada mais comum em relação à depressão, sugerida nos parágrafos acima, é que ela causa um sentimento de tristeza.
Pelo contrário: muitas vezes, o indivíduo com depressão não sente nada; ou então vive as emoções de modo limitado ou passageiro. Depende de cada caso, mas muitos relatam um sentimento parecido com o “torpor”, e o mais próximo que chegam de uma emoção é uma espécie de tristeza, ou irritação.

Deste modo, o indivíduo terá dificuldade para corresponder de modo adequado a gestos ou palavras afetuosas. Ou então nem se dará ao trabalho de manifestar qualquer reação.
Talvez demonstre uma irritação nada racional: é possível que o cérebro dele tenha dificuldades para processar e corresponder ao seu afeto e carinho.

5. Talvez recuse a participar de atividades de que gostava muito

Uma atípica falta de interesse em participar de atividades – e durante um longo período – pode ser um sinal de depressão. Conforme mencionado acima, esta doença drena a energia do indivíduo tanto no plano físico quanto no mental – o que afeta sua capacidade de sentir prazer com as atividades cotidianas.
Um indivíduo com depressão talvez não se sinta mais atraído por atividades que adorava no passado, pois esta doença acaba dificultando o desfrute de tais atividades, que não satisfazem mais o indivíduo. Se não há nenhum outro sinal visível que possa explicar o interesse cada vez menor do indivíduo por estas atividades, este talvez seja um sintoma de depressão clínica.

6. Talvez passe a ter hábitos alimentares incomuns

O indivíduo deprimido desenvolve hábitos alimentares incomuns por duas razões: como um modo de lidar com a doença, ou como um efeito colateral da ausência do cuidado consigo mesmo. Comer pouco ou em demasia é um sinal comum de depressão. A ingestão excessiva de alimentos é vista como vergonhosa, e neste caso a comida talvez seja a principal fonte de prazer da pessoa com depressão, o que a faz comer além do necessário.
Quando o indivíduo depressivo come pouco, em geral é porque a doença está afetando seu apetite, transformando o ato de comer em algo desagradável. Isso também pode ser uma necessidade subconsciente de controlar algo, já que ele não é capaz de controlar sua depressão. Se a pessoa não recebeu o devido diagnóstico, ou se omitiu diante das pessoas o fato de estar deprimida, elas poderão considerar que os hábitos alimentares “errados” se devem a um defeito de personalidade, e tal “julgamento” fará com que o indivíduo deprimido se sinta ainda pior.

7. Os outros talvez passem a exigir mais de você

Naturalmente, as funções vitais de um indivíduo com depressão não podem ser as mesmas de alguém com boa saúde mental. Haverá coisas que ele não será mais capaz de fazer com a mesma frequência, ou abandonará de vez. Perturbá-lo ou fazer com que ele se envergonhe por causa disso só tende a causar mágoas, em vez de ajudar. Se a depressão é um assunto que ele tem tido dificuldade de abordar, será igualmente difícil para ele lidar com alguém que fique irritado diante de sua incapacidade de agir do mesmo modo que uma pessoa mentalmente sadia.
Por isso, convém sempre ser compreensivo com as pessoas, seja de seu círculo profissional ou do pessoal. Não há como saber se um indivíduo está simplesmente “desacelerando”, ou se está enfrentando um verdadeiro problema de saúde.

8. Ela poderá ter dias ruins, e dias “melhores”

Trata-se de uma doença com altos e baixos. Se o indivíduo sofre de uma depressão mascarada, ou não diagnosticada, pode parecer que suas flutuações de humor são aleatórias, dependendo da regularidade de sua depressão. Para você (e mesmo para ele, no caso de ele não ter recebido um diagnóstico), talvez não haja uma motivação para as alterações de humor, mas esta é simplesmente a maneira como a depressão se manifesta em algumas pessoas.
Se você sabe que o indivíduo sofre de depressão, poderá ter a falsa impressão de que ele, tendo passado por uma sequência de dias “bons”, está definitivamente curado. O fato de ele ter passado um dia melhor do que na véspera pode ser excelente, mas convém que você sempre lhe peça para que ele deixe claro o que consegue ou não fazer, e em que momentos.
Concluir que o indivíduo que sofria de depressão está plenamente recuperado, ou forçá-lo a retomar rapidamente a rotina normal poderá sobrecarregá-lo, e fazer com que ele se “retraia” novamente. Ofereça apoio ao amigo ou parente com depressão, mas deixe queele tome as decisões necessárias.

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Fonte: lifehack via PensadorAnônimo

15/10/2015

Mapeamento cerebral desvenda transtorno obsessivo-compulsivo


Estudo identifica região associada ao TOC e pode vir a ajudar diagnóstico.
Em pesquisa, ressonância magnética ajudou a prever eficácia de terapia.

Do G1, em São Paulo
Um estudo de cientistas dos EUA com ressonância magnética conseguiu mapear diferenças de funcionamento entre os cérebros de entre pacientes de TOC (transtorno obsessivo-compulsivo) e pessoas sem problemas psiquiátricos.
Usando a ressonância magnética funcional, uma técnica que busca filmar o cérebro em ação, os pesquisadores, da Universidade Estadual Wayne, em Detroit, enxergaram um comportamento anômalo do cortex cingulado anterior, região do cérebro associada ao controle cognitivo, nos portadores de TOC.
A descoberta, publicada na revista científica “Frontiers in Human Neuroscience” ainda não tem aplicação clínica, mas cientistas afirmam que a informação será valiosa na pesquisa de novos tratamentos. O TOC é caracterizado por comportamentos repetitivos, como nos casos de pessoas que ficam checando e rechecando seus itens, ficam presas a rotinas rígidas e não conseguem tirar alguns pensamentos da cabeça.
O anúncio de novas descobertas da neurociência tem contribuído para a compreensão do transtorno, cujo diagnóstico hoje é feito ainda apenas com base em sintomas.
“Esse resultado fornece um arcabouço científico proposto para aquilo que clínicos já haviam notado sobre comportamentos ligados ao TOC. Esses efeitos baseados em redes de neurônios haviam sido sugeridos, mas não haviam sido demonstrados anteriormente com neuroimagem sobre o transtorno”, afirma Vaibhav Diwadkar, um dos cientistas autores do trabalho. “Se pudermos descobrir um mecanismo claro que esteja por trás da doença, teremos a promessa de melhora no caminho em direção ao tratamento.”
Terapia cognitiva
Um outro estudo com ressonância magnética funcional, realizado pela UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles), conseguiu prever quais pacientes de TOC eram mais propensos a ter uma resposta boa de terapia cognitivo-comportamental, principal intervenção não farmacológica usada contra o transtorno.
Pelo padrão de conectividade do cérebro, cientistas conseguiram prever quais pacientes eram mais propensos a ter recaídas depois de tratados com técnicas cognitivo-comportamentais. O retorno dos sintomas acentuados de TOC ocorrem em cerca de um quinto dos pacientes que inicialmente obtém sucesso com a terapia psicológica.
“Descobrimos que a terapia cognitivo-comportamental em si resulta em locais com redes cerebrais mais densamente conectadas, o que reflete uma atividade cerebral mais eficiente”, afirmou Jamie Feusner, um dos autores do trabalho. “Mas a terapia cognitivo-comportamental é cara, longa, difícil para pacientes e indisponível em muitas áreas. Então, se algum paciente terá a recidiva de seus sintomas, é útil saber isso antes de receber tratamento.”
A conclusão dos pesquisadores de Los Angeles está descrita em estudo na revista “Frontiers in Psychiatry”.
No vídeo abaxo, o psiquiatra Daniel Barros comenta as novas descobertas da neurociência sobre o transtorno obsessivo-compulsivo.

20/06/2015

Como o álcool afeta a capacidade de direção

Da      BBC

 No Brasil, uma lei que vigora desde janeiro de 2013 acabou com a tolerância de álcool permitida a motoristas  (Foto: Thinkstock)No Brasil, uma lei que vigora desde janeiro de 2013 acabou com a tolerância de álcool permitida a motoristas (Foto: Thinkstock)
Estrela da seleção chilena de futebol, Arturo Vidal foi preso na noite de terça-feira depois de bater sua Ferrari perto da capital Santiago.
Segundo as autoridades, o jogador, de 28 anos, estava dirigindo seu carro com um nível de álcool no sangue superior ao permitido.
No Brasil, uma lei que vigora desde janeiro de 2013 acabou com a tolerância de álcool permitida a motoristas.
 Além disso, se o condutor fizer o teste do bafômetro e a concentração de álcool em seu sangue for maior do que 0,34 mg/L, pode ser preso por seis meses a três anos, além de pagar multa, e ter o direito de dirigir suspenso.




Mas como diferentes concentrações de álcool afetam a capacidade de direção?
As informações são da Administração Nacional de Segurança no Tráfego Rodoviário (NHTSA) dos EUA.
Os sintomas de diferentes concentrações de álcool no sangue na capacidade de direção
Porcentagem de concentração de álcool no sangue
Na última terça-feira, estrela da seleção chilena, Arturo Vidal, foi preso alcoolizado após bater Ferrari em Santiago
0,02%
Funções visuais diminuem
Diminuição da capacidade de fazer duas coisas ao mesmo tempo
0,05%
Funções visuais diminuem
Diminuição da capacidade de fazer duas coisas ao mesmo tempo
0,08%
Diminuição da concentração
Perda de memória de curto prazo
Perda do controle da velocidade
Redução da capacidade de processar informações (capacidade de ver placas ou sinalizações)
Diminuição da percepção
0,10%
Redução da capacidade de ficar na mesma pista da estrada e parar corretamente
0,15%
Incapacidade substancial para controlar o veículo, prestar atenção às funções de direção e processar informação visual e auditiva.
O médico Gustavo Magliocca explica que além do reflexo, perdemos a coordenação quando bebemos e dirigimos.
“Não a coordenação fina, mas a grossa. Isso aumenta e muito as chances de provocar um acidente”, afirma. Álcool e atividade física também não combinam.